Sem perceber, os brasileiros estão gastando cada vez mais com aplicativos de transporte, entrega de comida e streamings de filme e música. Levantamento exclusivo do Guiabolso para o 6 Minutos mostra que o gasto médio de pessoas que assinavam esses quatro serviços foi de R$ 4.971,40 em 2019.

Para Julio Duram, diretor de Produto e Tecnologia do Guiabolso, esse valor é muito alto se considerar o que dá para fazer com quase R$ 5.000: pagar uma viagem, comprar material escolar, pagar impostos de começo de ano, por exemplo.

“O que chama atenção é que os valores individuais de cada serviço são baixos, por isso as pessoas nem percebem que estão gastando muito, pois são débitos lançados diretamente no cartão de crédito. Muitas só descobrem quanto gastaram quando chega a fatura do cartão. E, depois, algumas não têm a quantia suficiente para pagar a fatura e acabam entrando no rotativo ou no cheque especial”, diz ele.

Por categoria, qual a despesa com aplicativo que as pessoas mais fazem? As pessoas gastam mais com aplicativos de transporte como Uber, 99 e Cabify. O gasto médio em dezembro de 2019 com esses apps foi de R$ 156,25 – era de R$ 135 um ano antes. Foi uma alta de 16% nesse período.

Os gastos com apps de transporte são os mais utilizados: têm uma penetração de 32,5%. Esse tipo de gasto representa, em média, 3,5% da renda das pessoas.

Em segundo lugar aparecem os apps de entrega de comida, como Rappi e iFood, com gasto médio de R$ 105,75. Por outro lado, só 16,3% dos brasileiros pesquisados tiveram esse tipo de consumo ao final de 2019.

A penetração é maior para os aplicativos de streaming de filme: 20,4%, com despesa de R$ 36,60.

Com menor penetração e gasto médio entre os brasileiros aparecem os apps de streaming de música, como Spotify e Deezer: 12,8% de usuários, com despesa média de R$ 20.

Tipo de aplicativoPercentual de usuários com esse tipo de gastoValor gasto em dezembro de 2019Comprometimento da renda
App de carona32,5%R$ 156,253,5%
App para pedir comida16,3%R$ 105,752,22%
Streaming de música12,8%R$ 200,50%
Streaming de filme20,4%R$ 36,600,90%

Mas todo mundo gasta R$ 4.971,40 por ano com esses serviços? Não, esse é valor médio de gasto anual de quem utiliza os quatro tipos de aplicativo (carona, comida, música e filme).

O que chama atenção nesses números? Para Duram, esses números mostram como é grande a penetração dos apps de carona e quanto eles representam da renda dos usuários. “Praticamente um terço dos consumidores analisados faz uso desse tipo de serviço, que representa 3,5% da renda deles. É um comprometimento elevado considerando que as pessoas têm outras despesas, como aluguel, alimentação”, afirma.

“Elas gastam tudo isso e quando olham para trás não têm nenhum objeto novo em casa, nenhuma roupa ou sapato novo no guarda-roupa. Não sabem para onde foi esse dinheiro”, diz o executivo do Guiabolso.

Por que as pessoas gastam tanto com esses apps? Duram diz que um dos motivos que faz esses serviços serem tão utilizados é a conveniência. É muito prático chamar um carro por aplicativo. Em segundo, os valores individuais são muito baixos. “De R$ 20 em R$ 20, a conta fica alta e você nem percebe.”

Outro fator é que o pagamento desse serviço é sem fricção: quase ninguém abre a carteira para arcar com a despesa. Tudo é lançado automaticamente no cartão de crédito e o usuário nem se dá conta de quanto pagará depois de um mês.

Como reduzir um pouco essa conta? A recomendação de Duram é aquela velha e boa dica dos especialistas em finanças pessoais: colocar em uma planilha todos os gastos e analisar se não está havendo algum exagero. Se achar que está gastando demais, tentar descobrir o que dá para ser cortado. “Ninguém está falando para deixar de usar esses serviços. Mas se a pessoa saiu no fim de semana e usou app de carona, talvez ela possa ir um ou dois dias para o trabalho de transporte público para compensar esse gasto.”

As pessoas estão gastando demais com esses apps? Tudo depende de quanto elas estão comprometendo da renda com esses serviços e quanto isso as deixa no vermelho. Em alguns casos, lembra Duram, recorrer a esses apps pode até ser uma economia. “A pessoa que vai ao cinema, compra uma pipoca e um refrigerante gasta muito mais que esses R$ 36,60 com streaming de filme. Ir ao restaurante é mais caro do que pedir uma comida por app de entrega. Então depende de cada caso.”

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