A B3 divulgou hoje a prévia da carteira do Ibovespa que vigorará entre maio e setembro de 2020. O índice passará a ter 75 ações de 72 empresas listadas — o segundo número é menor pois o índice tem papéis preferenciais e ordinários de uma mesma empresa.

Quem sai? A partir do dia 4 de maio, as ações da Smiles não estarão mais no Ibovespa. A saída de um papel da listagem do índice acontece quando o volume de negociação dessas ações cai, tornando sua participação de mercado menor.

As ações da Smiles derreteram no último ano, perdendo quase 70% do valor. Embora o setor aéreo tenha sido afetado pelo coronavírus, a crise da empresa começou bem antes disso. Em dezembro do ano passado, a Gol anunciou que pretendia incorporar a Smiles à sua estrutura, fazendo uma troca de ações.

A negociação, vista como desfavorável para os pequenos investidores, acabou sendo cancelada em março — dessa vez, sim, pelo coronavírus. A Gol anunciou que havia desistido da recompra das ações da Smiles, em razão de “eventos extraordinários ocorridos recentemente nos mercados nacional e internacional e, em especial, por força dos seus impactos estruturantes no setor de aviação”.

Assim como as outras companhias do setor, a Gol tem sido penalizada pela pandemia da covid-19. Os papéis empresa aérea perderam mais de 60% do valor desde fevereiro, quando os primeiros casos da doença foram reportados aqui no Brasil.

Apesar de a incorporação ter sido desfeita, não há nenhum indício de que as ações da Smiles e da Gol vão se recuperar tão cedo.

Quem entra? Foram incorporados os papéis da Minerva, do setor de carnes, da Energisa e da CPFL, do setor de energia elétrica. A Minerva foi bastante penalizada, no início da crise do coronavírus, pelo receio de diminuição do consumo de carne em mercados importantes, como a China. No entanto, com a volta progressiva da normalidade no mercado asiático, os papéis do frigorífico começaram a subir, e já dobraram de valor, em relação à cotação do mês passado.

Essa trajetória de queda brusca e recuperação progressiva também se repetiu nas ações da Energisa e da CPFL. O medo dos investidores era que o setor de energia sofresse com uma inadimplência massiva, já que o governo proibiu o corte de fornecimento de luz elétrica em caso de inadimplência.

Além disso, como o consumo de energia caiu, em razão da quarentena, as distribuidoras de energia estão sobrecontratadas — ou seja, elas pagaram por um volume extra de energia que não será usado e nem pago pelos consumidores.

Contudo, o quadro negativo se reverteu quando o Ministério de Minas e Energia começou a negociar linhas de financiamento para que o setor sobreviva à crise. O volume de recursos liberados pode chegar a R$ 17 bilhões, e a disposição do governo para ajudar tornou o futuro dessas empresas mais tranquilo. Por isso as ações da Energisa subiram 30% em relação a março, e as da CPFL avançaram 27%. Cada uma terá uma participação aproximada de 0,3% na composição do Ibovespa.

Quais ações são mais representativas no índice? As ações ordinárias da Vale continuam sendo campeãs, com uma participação de quase 10% no índice. Veja as principais:

  • Vale (ações ordinárias): 9,99%
  • Itaú Unibanco (ações preferenciais): 7,53%
  • Bradesco (ações preferenciais): 5,79%
  • B3 (ações ordinárias): 5,54%
  • Petrobras (ações preferenciais): 5,30%
  • Petrobras (ações ordinárias): 3,61%

 

 

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