O número de brasileiros que estão conseguindo sair da inadimplência diminuiu em 2019. Dados divulgados hoje pela Boa Vista, serviço de análise de crédito, mostraram que, apesar de uma pequena melhora em outubro, a recuperação de crédito (quitação de dívidas) acumula queda de 3,9% no ano.

As regiões que tiveram o pior desempenho nesse índice foram: Sul (-8,7%), Centro-Oeste (-4%) e Sudeste (-3,2%).

O que explica essa melhora mensal no pagamento de dívidas? Ainda que o índice de recuperação de crédito esteja caindo no acumulado do ano, em outubro houve um avanço de 3% no indicador.

Segundo a Boa Vista, esse é um efeito sazonal: a liberação dos saldos do FGTS está ajudando muitos consumidores a pagar dívidas antigas. Mas como os bancos estão liberando mais crédito para esses consumidores, eles acabam contratando novos empréstimos.

Mas a economia não está melhorando? Sim, o aumento na concessão de empréstimos é um dos sintomas de retomada econômica. O problema é que esse aumento no crédito não está sendo acompanhado pelo crescimento da renda, o que leva muitas famílias a se endividar.

“Os brasileiros estão tomando mais crédito, mas a renda não está acompanhando na mesma proporção. É por isso que o comprometimento do orçamento familiar com o pagamento de dívidas está crescendo nos últimos meses”, explicou ao 6 Minutos o economista da Boa Vista, Flávio Calife. A renda não tem crescido por causa do desemprego, que permanece alto — mais de 12 milhões de brasileiros estão sem trabalho — e pela subutilização da mão de obra empregada.

A queda de juros chegou ao mundo real? Para Calife, a resposta é não — pelo menos por enquanto. Ele disse que embora a taxa básica (Selic) esteja em queda, esses cortes não chegaram aos juros do crédito para os consumidores. Ele lembra que os spreads (diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados) cresceram, e que as taxas médias cobradas em financiamentos continuam estáveis.

A recuperação de crédito deve melhorar? Além da liberação do FGTS, os dois próximos meses serão marcados pelo pagamento do 13º salário. Boa parte dos consumidores usam esses recursos extras para pagar as dívidas em atraso. “A recuperação do comércio faz com que os consumidores queiram limpar o nome, para poder fazer novas compras. Isso também terá um efeito positivo”, afirma Calife, da Boa Vista.

No médio prazo, a expectativa é que a inadimplência continue a crescer, mas esse não será um efeito permanente. Calife, da Boa Vista, diz que as entidades de crédito não encaram esse efeito com grande preocupação.

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