Quer tomar crédito para reorganizar suas finanças, pagar um MBA ou mesmo investir num negócio próprio a uma taxa média de apenas 15,8% ao ano, ou 1,2% ao mês?

Se você tem um imóvel quitado, saiba que pode recorrer ao modelo de empréstimos conhecido como home equity, que talvez seja seu passaporte para obter acesso às taxas acima citadas.

O nome parece um palavrão (ainda mais em inglês), mas nada mais é do que uma modalidade de empréstimo em que casas ou apartamentos são transferidos para o nome do banco em garantia. Esse modelo está popularizado em outros países, mas ainda engatinha no Brasil.

As contratações desse financiamento, que é uma das principais apostas do Banco Central para baratear o crédito no país, subiram 24% entre janeiro e julho deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do BC que passaram a ser divulgados no mês passado.

Qual a diferença entre o home equity e a boa e velha hipoteca? A principal diferença é que no home equity o imóvel fica sob posse do banco até o pagamento total do empréstimo (alienação). No caso da hipoteca, que caiu quase em desuso no Brasil, o bem permanece no nome do credor, apesar de a casa ou apartamento também servir como garantia do financiamento.

Como são os juros em relação a outros empréstimos? Em julho, os juros médios dessa modalidade de crédito foram de 15,8% ao ano.

Para se ter uma ideia, os empréstimos pessoais sem garantia custam, em média, 113% ao ano em juros, segundo os últimos dados do BC. Mesmo o crédito consignado em folha de pagamento para trabalhadores do setor privado, por exemplo, custa 34,9% ao ano.

“Como é um crédito com risco muito menor, porque tem uma garantia real que pode ser acessada com facilidade, os juros são bem mais baixos”, afirma Sérgio Cano, professor do MBA em Gestão de Negócios Imobiliários e da Construção Civil da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Qual o valor máximo do financiamento? É o valor total do imóvel? Não. Em geral, os bancos estabelecem um limite máximo a ser emprestado (entre 50% a 60% do valor do imóvel). Os bancos também costumam estipular um valor mínimo para ser tomado no home equity.

Com qual objetivo esse crédito pode ser tomado? A forma de uso do empréstimo é livre e não está relacionada ao crédito imobiliário em si. O imóvel é apenas a garantia de que aquele financiamento será pago.

Como em geral os valores envolvidos são altos (a parcela é de R$ 1.576, em média, segundo o BC), os recursos podem ser usados para organizar o pagamento de dívidas elevadas, por exemplo, ou até mesmo como um ponto de partida para investir em um negócio próprio.

“É um tipo de crédito mais ágil, simples, e que permite um volume de financiamento maior, para usar até em investimentos. Se você tem interesse em se qualificar mais para o mercado de trabalho, fazendo um MBA, por exemplo, consegue tomar esse crédito pagando uma taxa reduzida”, afirma Cano, da FGV.

Quais os cuidados a tomar? O principal conselho é que, antes de tomar o empréstimo, o tomador tenha muito claro qual a sua capacidade de pagar por ele, já que o que está em jogo é um imóvel que será tomado pelo banco em caso de inadimplência.

“O tomador deve saber que terá uma prestação mensal pra pagar. É necessário responsabilidade para pegar um valor maior, pois ele está dando um bem importante em garantia”, afirma Cano.

A inadimplência desse tipo de empréstimo é de 3,85%, pouco acima do observado no crédito pessoal (média de 3,6%).

Qual a representatividade do home equity hoje? Atualmente, o volume emprestado por meio do home equity no Brasil soma R$ 10,9 bilhões, mas o BC acredita que essas linhas têm potencial de alcançar R$ 500 bilhões nos próximos anos.

A tendência é aumentar o crédito garantido por imóveis? Sim. O Banco Central já manifestou algumas vezes que quer ampliar o acesso a essa modalidade, reduzindo os custos delas para os bancos e os tomadores. Uma das medidas já anunciadas, por exemplo, foi permitir que a avaliação do preço do imóvel seja feita através de modelos eletrônicos, e não de peritos que precisam estar presentes no local e cobram caro.

O BC ainda estuda permitir que um mesmo imóvel possa ser usado como garantia para diferentes empréstimos, o que hoje é proibido.

Quais as taxas dos diferentes bancos nessa linha? As condições são variadas. Veja abaixo os juros mínimos informados pelas grandes instituições financeiras na modalidade.

Caixa

O banco cobra taxas a partir de 1,18% ao mês na modalidade.

Bradesco

A linha é oferecida com o nome CredImovel, com taxas de juros a partir de 0,95% ao mês.

Itaú Unibanco

Os juros nessa linha começam em 1,01% ao mês, dependendo do perfil do cliente e do relacionamento com o banco.

Banco do Brasil

O produto se chama BB Crédito Imóvel Próprio, com taxas a partir de 1,34% ao mês.

Santander

A taxa mínima do banco para a linha Crédito Pessoal — Imóvel como Garantia é de 0,99% ao mês.

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