O cenário de juros em queda e mercado imobiliário aquecido está estimulando investimentos e ampliando o número de famílias aptas a financiar um imóvel. Com a taxa Selic a 4,5% ao ano e a competição maior no setor bancário, os juros médios sobre o financiamento imobiliário caíram para algo entre 7% e 8% ao ano. É a menor taxa da história do país, mas isso se deve também ao fato de que a TR (Taxa Referencial), um dos componentes do juro do crédito habitacional, está zerada. Mas e se ela subir? Esse deve ser um motivo de preocupação?

Taxa Referencial - crédito imobiliário - 6 minutos

Taxa Referencial deve se manter zerada ou bem baixa nos próximos anos, analisam especialistas.
Crédito: Shutterstock

O que dizem os especialistas: Não há motivo para se preocupar, diz Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper. A TR zerada é reflexo da taxa Selic. “Ela só sobe e vira problema quando a Selic ultrapassa os 12% ou 13% ao ano”, explica.

Em 2016, quando a taxa Selic (na média diária) estava entre 13% e 14,15%, a TR bateu os 2,01% ao ano. A taxa é cobrada nas parcelas mensais pelo tomador de crédito imobiliário. Por isso, seu efeito sobre o custo total do financiamento é grande. Em agosto de 2016, enquanto a Selic era de 14,15%,  a TR foi de 0,2545%.

Agora, o país está retomando o crescimento e em 2021 os juros devem voltar ao patamar de 6,5% ao ano, segundo projeções de mercado. Na análise de Rocha, isso não deve provocar grandes mudanças na TR. Ele vê a economia em uma nova fase, bem diferente da de 2016: investimentos nas empresas serão de ordem tecnológica. Isso tende a baixar preços e inflação. Assim, os juros podem seguir menores.

Alinhado com Rocha está Bruno Gama, CEO da CrediHome, fintech de crédito imobiliário que atua nas frentes de empréstimo e comparação dos juros oferecidos pelos bancos.  “Não estamos vendo a TR como um risco para o tomador de crédito”, afirma, direto ao ponto.

A TR está zerada desde setembro de 2017.  Segundo Rocha, ela só deve subir, e mesmo assim, pouco, se os juros de referência para o mercado ultrapassarem 8,5% ao ano – não é isso o que se projeta para a economia nos próximos cinco anos. “Ainda que suba para 1% ao ano, no cenário de inflação controlada e melhora da economia, o impacto nas parcelas do financiamento não será grave”, analisa o professor.

Afinal, o que é a Taxa Referencial? É uma média da rentabilidade mensal de títulos pré-fixados do Tesouro Nacional – acompanhe a rentabilidade neste link. Ela foi criada em 1991, no governo Fernando Collor, em uma tentativa de desindexar a economia brasileira, à época bastante refém da hiperinflação.

A TR é calculada pelo Banco Central e, em tese, pode mudar todo mês — o que não está acontecendo, como explicamos acima. O BC considera o valor pelo qual os títulos pré-fixados são negociados no chamado mercado secundário, diretamente entre investidores, fora de plataformas como as corretoras.

A TR é uma política econômica: Além da rentabilidade dos títulos, o BC inclui na conta alguns números que variam de acordo com a intenção da política econômica, de estimular compras e investimentos ou a poupança. Se a TR está menor, o estímulo é para investir no mercado imobiliário. Se está maior, o governo está sugerindo que o melhor a se fazer é aplicar na poupança, que tende a render, por ano, 70% da taxa Selic.

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