Quem viaja para o exterior e faz uso do cartão de crédito internacional para pagar uma compra aguarda com ansiedade o fechamento da fatura que inclui esse gasto: “E se o dólar disparar nesse período até o fechamento do extrato ou o dia do vencimento?”, costuma se perguntar o viajante a turismo ou negócios.

Isso acontece porque bancos e instituições que emitem os cartões utilizam como referência para a cobrança a cotação do dólar comercial do dia do fechamento da fatura ou do dia marcado para o vencimento da mesma. Em tempos de muitas oscilações na cotação, como atualmente acontece, essa incerteza afeta ainda mais os brasileiros.

Se uma pessoa faz a compra nos Estados Unidos com o dólar a R$ 4,20 e a cotação dispara para R$ 4,40 no dia de fechamento da fatura, terá que arcar com a diferença dos R$ 0,20. Parece pouco? Não é.

Vamos dar um exemplo: Em um pagamento de diárias de hotel ou uma compra em uma loja no valor total de US$ 2 mil, por exemplo, essa pequena diferença de R$ 0,20 vai significar R$ 400 a mais (ou R$ 425,52 com a cobrança da alíquota de 6,38% do IOF, o Imposto sobre Operações Financeiras, que incide sobre o gasto).

Mas isso muda agora em março: Por determinação do Banco Central, quem viajar ao exterior e usar o cartão de crédito vai pagar um valor em reais convertido pela cotação do dólar — ou da moeda estrangeira em questão — exatamente no dia da compra.

Por que as regras mudaram? Segundo o BC, o objetivo da medida é dar previsibilidade ao consumidor e fomentar a competição entre as instituições que emitem os cartões.

Por que a medida deve gerar competição? A concorrência deve ser estimulada porque bancos e emissores de cartões (com bandeiras como Visa, Mastercard e American Express) terão que divulgar até às 10h (horário de Brasília) em seus sites e demais canais de atendimento a taxa de conversão do dólar utilizada no dia anterior.

Essa cotação deve ter como referência o dólar comercial acrescido da margem de ganho do banco em questão, que costuma ficar em torno de 5%. É justamente essas margem que pode cair caso uma instituição financeira decida oferecer uma taxa mais baixa do que a concorrência.

De posse da informação da taxa de conversão do seu banco, viajantes a turismo ou negócios poderão decidir se compensa usar um cartão de débito aceito no exterior, dinheiro em espécie ou o cartão de crédito internacional que oferecer a taxa mais vantajosa, caso ele possua mais de uma opção.

A medida do BC foi tomada em novembro de 2018, com data prevista para entrar em vigor em 1º de março de 2020.

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