O impacto do coronavírus para o emprego e a renda dos brasileiros já encareceu o preço do dinheiro em alguns bancos e suas linhas de financiamento. O aumento atingiu tanto consumidores quanto empresas.

Levantamento feito pelo 6 Minutos nas taxas de juros compiladas pelo Banco Central mostra que isso aconteceu no cartão de crédito rotativo, cartão de crédito parcelado e capital de giro para empresas.

“Instituições financeiras estão aumentando juros e encurtando prazos dos financiamentos. O componente risco tem grande participação na definição da taxa de juros”, explica Miguel Oliveira, diretor-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), entidade que faz uma pesquisa mensal de juros.

Os dados divulgados pelo BC em sua página na internet, que são atualizados diariamente, reúnem as taxas médias efetivamente praticadas pelos bancos em cada tipo de empréstimo em janelas de tempo. O último período disponível é entre os dias 13 e 19 de março.

Como os dados não são ponderados pelo volume emprestado, eles servem mais como uma indicação das taxas praticadas no período.

Em qual linha direcionada a consumidores e empresas houve alta? As altas aconteceram  principalmente no cartão de crédito rotativo, modalidade em que o cliente rola uma parte do pagamento para o próximo mês, e no cartão parcelado.

A reportagem fez uma comparação entre os períodos de 13 a 17 de janeiro e 13 a 19 de março. Veja abaixo.

Cartão rotativo

Dois bancos tiveram as altas mais expressivas nessa modalidade: Caixa e Bradesco.

Entre 13 a 17 de janeiro, as taxas da Caixa foram de 155% ao ano, em média. Isso aumentou para 193,97% entre os dias 13 a 19 de março, uma alta de 38 pontos.

No caso do Bradesco, a alta foi de 273,6% ao ano (dado de janeiro) para 287, 2% (março).

Cartão parcelado

Nessa modalidade, a taxa média praticada pelo Santander, por exemplo, era de 128,75% ao ano em meados de janeiro. Nos mesmos dias de março, os juros aumentaram para 152,3% ao ano, uma alta de mais de 20 pontos percentuais na taxa.

Os juros praticados pelo Banco do Brasil no período também subiram, de 139,7% ao ano para 144,2% ao ano.

Capital de giro

No caso da modalidade de empréstimo de capital de giro para empresas com prazo máximo de 365 dias, o principal aumento foi praticado pelo Santander, que elevou sua taxa média de 48,9% ao ano em meados de janeiro para 55,5% em meados de março.

Todos os bancos estão elevando taxas em todas as modalidades? Não, o movimento não é generalizado, e varia de banco para banco e de modalidade de financiamento.

Pelo menos até o período entre 13 e 19 de março, último número disponibilizado pelo BC, os números mostram que os bancos não estão adotando uma estratégia única em relação aos juros cobrados. Alguns mantém suas taxas no mesmo patamar desde janeiro, outros estão aumentando ou até reduzindo taxas, dependendo do caso.

Segundo especialistas, isso acontece porque a crise atual é extremamente imprevisível em relação ao impacto sobre a renda, e cada um precifica o risco de uma forma. Além disso, as medidas de estímulo à liquidez tomadas pelo Banco Central, com a liberação de recursos que antes não podiam ser emprestados, está amortecendo possíveis impactos maiores, pelo menos até agora.

“Quando o banco olha para a frente e não sabe quando isso vai terminar, qual impacto a crise terá sobre a saúde financeira de empresas e pessoas, embute essa incerteza no preço”, afirma Oliveira. “E cada um tem a sua projeção do que vai acontecer”.

O que dizem os bancos sobre os aumentos? Veja abaixo a posição de cada banco sobre a definição das taxas de juros nesse momento de crise.

Bradesco

O Bradesco afirmou que não mudou sua política de taxas de juros para pessoas físicas e jurídicas. “O banco trabalha com banda de taxas, que podem variar de acordo com prazos, tipo de operação e risco, além de relacionamento e perfil de risco do cliente”, afirmou o banco em nota.

Caixa

A Caixa declarou que, na quinta-feira da semana passada (dia 26, ou seja, após os últimos dados disponibilizados pelo BC) uma série de medidas para ajudar a combater o efeito do novo coronavírus na economia e reforçar a liquidez.

“Entre essas medidas, novas reduções das taxas de juros. A Caixa diminuiu as taxas de juros do cheque especial pessoa física, do crédito rotativo e parcelamento de fatura do cartão de crédito, capital de giro e do Caixa Hospitais”, afirmou o banco em nota.

Banco do Brasil

Procurado, o Banco do Brasil preferiu não se pronunciar sobre o assunto.

Santander

Procurado, o Santander não se pronunciou sobre o tema.

Itaú Unibanco

No levantamento feito pela reportagem, o Itaú Unibanco não aparece com nenhuma alta expressiva nas taxas de juros no período avaliado.

“O Itaú Unibanco enfatiza que não aumentou suas taxas para pessoa física, micro e pequenas empresas, como pode ser comprovado por dados públicos do Banco Central”, afirmou o banco em nota.

 

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