A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) estuda acabar com a diferenciação existente hoje entre o chamado investidor de varejo (que pode ser definido como o pequeno investidor), o qualificado (com patrimônio acima de R$ 1 milhão) e o profissional (acima de R$ 10 milhões).

Nestes dois últimos casos, as denominações abrem as portas para aplicações exclusivas, de maior retorno e risco. Investimentos no exterior, em determinados fundos, como os de private equity (que investem em empresas de capital fechado), e em certas ofertas de ações são exemplos de aplicações restritas para o pequeno investidor.

Paralelamente, a entidade estuda aprimorar o chamado “suitability”, que é a definição do perfil de risco desenhado por consultores financeiros para determinar se um cliente é ou não compatível com determinado investimento.

Atualmente, os perfis são mais simples, em geral variando entre conservador, moderado e arrojado.

O novo desenho em estudo, que será submetido à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o órgão federal que regula o mercado de capitais, prevê um detalhamento maior: a ideia é que leve em conta o momento de vida da pessoa, além dos já tradicionais objetivos com o investimento e o conhecimento do funcionamento do mercado.

“Poderia haver diferentes perfis de investidores, até 10 ou 15 diferentes perfis, que poderiam ser determinados por meio de perguntas ao cliente”, exemplificou Carlos Ambrósio, presidente da associação.

Para todos os investidores

Segundo a Anbima, a nova regulação em avaliação dentro da entidade prevê acabar com a oferta de determinados produtos apenas para a alta renda, ou seja, para investidores qualificados ou profissionais.

“O ideal é não ter categoria nem nenhum produto carimbado: em tese, qualquer investidor pode ter acesso a todos os produtos”, disse Ambrósio. “Queremos que os produtos sejam escolhidos pelo próprio processo de suitability de cada investidor, que será aperfeiçoado. O cliente de varejo não pode ser tolhido de uma aplicação.”

As mudanças estão sendo avaliadas dentro da Anbima no âmbito da autorregulação.

Crédito privado

A entidade demonstrou especial preocupação com o suitability de investimentos em crédito privado (dívidas de empresas), uma aplicação bastante complexa e que sofreu queda na rentabilidade no fim do ano passado.

“No ano passado houve ajustes nesse mercado, e alguns clientes se mostraram surpresos com o que aconteceu. Queremos reforçar a aderência do perfil do investidor a esse investimento, reforçando a transparência”, declarou José Ramos Rocha Neto, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima.

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