Preste atenção nesses números: taxa Selic a 3% ao ano, taxa de administração de fundo de renda fixa a 3%. Por incrível que pareça, mesmo com a forte queda da taxa básica de juros ao longo dos últimos anos, há aplicações que ainda cobram um valor altíssimo do cotista, penalizando ainda mais a rentabilidade já baixa dessas aplicações.

Para se ter uma ideia, o retorno médio dos fundos de renda fixa altamente conservadores (os soberanos, de resgate diário e que investem 100% dos recursos em títulos públicos), ficou por volta de 1% no acumulado do ano.

A inflação oficial do mesmo período ficou pouco acima de 0,50%, corroendo metade desse resultado.

Mas essa é a média. Levantamento feito pelo 6 Minutos nos dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostra que 38 fundos, entre 521 pesquisados, cobravam em março, último dado disponível, 2% ou mais para administrar recursos.

Entre esses, 10 praticavam taxas de 3%, o que no cenário atual, significa entregar todo o possível retorno para o dono do fundo —sem falar na perda com a inflação.

Isso acontece porque muitos clientes de bancos não acompanham o rendimento dos seus fundos com atenção, e muitas vezes acabam seguindo a orientação de gerentes e depois esquecem daquele investimento.

“A melhor pressão para que os fundos baixem suas taxas é sair deles”, recomenda Daniel Jannuzzi, especialista de investimentos da gestora digital Magnetis. “Não mantenha seu dinheiro em grandes bancos, onde geralmente estão os fundos com cobranças abusivas. Se você só está gerando receita para o banco, o melhor é procurar outras opções”.

Para Paula Sauer, economista especializada em finanças comportamentais e professora da ESPM, o ideal é criar o hábito de sempre checar o rendimento dos fundos.

“Assim como a gente, de tempos em tempos, olha as contas que estão no débito automático, assinatura de jornal, de Netflix, tem que olhar sempre a carteira de investimentos, para saber quanto se está pagando e também para ver se ela continua combinando com o seu perfil”, aconselha.

A gestão desse tipo de fundo é complexa e justificaria taxas elevadas? Pelo contrário. Os fundos classificados como soberanos ou simples, que foram levados em conta na pesquisa, possuem 100% ou no mínimo 95% dos recursos aplicados em títulos públicos.

“Os fundos que exigem mais cuidado são os que o gestor faz uma seleção cuidadosa de investimentos”, explica Paula Sauer, economista, planejadora financeira e professora da ESPM. “No caso de fundos soberanos, não tem muito razão para ter muito trabalho para gerir aquela carteira. Muitos fundos cobram taxas maiores para cobrir o risco de resgate”.

Qual o melhor caminho para saber se a taxa que eu pago no meu fundo está comendo meu rendimento? A forma mais fácil é olhar a lâmina de informações essenciais do fundo, que em geral pode ser facilmente encontrada na internet (digite o nome completo do fundo e a palavra lâmina).

Dentro da lâmina, procure o “exemplo comparativo”, que te dá o rendimento e a despesa com o fundo, após um ano, a cada R$ 1.000 aplicados.

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