Em busca de uma rentabilidade melhor em uma época em que a taxa básica de juros (Selic) está na mínima histórica, os fundos de investimento encerraram o ano passado com uma forte aumento do seu patrimônio aplicado em ações.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que em dezembro de 2019 os fundos alocaram R$ 657,1 bilhões em renda variável, o maior valor da história e uma alta de 52,7% em relação ao mesmo mês do ano retrasado.

Se a comparação é feita com dezembro de 2017, o aumento é ainda maior, de 95%.

Qual a razão dessa alta? Essa expansão aconteceu como consequência da queda dos juros básicos. Entre 2015 e 2016, por exemplo, a taxa Selic estava em 14,25%, o que gerava um maior rendimento dos produtos de renda fixa, como títulos públicos.

De lá para cá, os juros básicos foram sendo cortados — e hoje estão no piso histórico, em 4,5% ao ano. Em outras palavras, atualmente os investimentos em renda fixa rendem muito menos do que há cinco anos.

Para manter a rentabilidade dos fundos, os gestores optam por aumentar um pouco seus investimentos em renda variável, impulsionados também pelo otimismo com a Bolsa brasileira.

Quanto as ações representam em relação ao total das aplicações? A renda variável fechou dezembro representando 14% de todo o patrimônio. Ainda é pouco em relação à renda fixa, mas é uma participação bem maior do que os 10,2% de dezembro de 2018 e 8,9% de 2017.

E como está a aplicação em renda fixa? Apesar da queda dos juros, a dívida pública continua a campeã incontestável entre as aplicações dos fundos: no mês passado, segundo a Anbima, havia cerca de R$ 3,2 trilhões investidos diretamente em títulos públicos federais ou em operações lastreadas em títulos públicos.

Ou seja, 67,9% da alocação total dos fundos. Parece muito, mas esse percentual era ainda maior em 2018 (72,4%). Apesar de o movimento ser lento, está havendo uma fuga desses investimentos, cuja rentabilidade está menor.

Os fundos multimercado, que aplicam tanto em renda fixa quanto variável, também estão aumentando suas aplicações em ações? Sim. Estudo feito pela gestora de investimentos digitais Magnetis para o 6 Minutos mostra que a correlação do fechamento dos principais multimercados com os movimentos de alta e queda da Bolsa está em 83%. Em meados de 2016, ela estava zerada.

Em outras palavras: se o Ibovespa fechou em alta 100 vezes durante um ano, por exemplo, em 83 delas os fundos multimercado acompanharam esse movimento.

O que isso quer dizer, na prática? Que se você tem dinheiro aplicado em um fundo que não seja de renda fixa (ativos de baixo risco, como títulos públicos), pode ser que o seu investimento passe a se mostrar um pouco mais arriscado e volátil daqui para a frente.

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