Com uma gestão simples e de funcionamento facilmente explicável para os clientes, os fundos de ações que investem no papel de uma única empresa, em geral Vale ou Petrobras, são um ótimo negócio…para os seus gestores, que são os grandes bancos do mercado.

Para o investidor, a avaliação é que, em geral, representam uma roubada, de acordo com especialistas em finanças pessoais.

Existem atualmente 56 fundos mono ação, como são chamados, acompanhados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), com patrimônio líquido somado de R$ 6,3 bilhões. A maioria é gerida por Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Caixa e Banco do Brasil.

Por quê esses fundos são considerados um mau negócio pelo mercado? Apesar de cobrarem uma taxa de administração que em geral varia entre 1,5% e 2%, podendo chegar a 3,5%, os fundos mono ação investem 90% do patrimônio nos papeis de uma companhia apenas.

Ou seja, a rentabilidade que o investidor tem acaba sendo “comida” pelo valor pago ao gestor por um trabalho que não envolve decisões complicadas.

Como atualmente a maioria das corretoras não cobra pelos custos de investimento em ações (despesas com corretagem), acaba não fazendo muito sentido aplicar nesses fundos, já que você pode alocar seu dinheiro naquela empresa diretamente, sem intermediários.

“A gestão é muito simples, e são fundos fáceis de se vender para as pessoas, porque a estrutura não é complicada”, afirma Vinicius Soares, diretor de produto da gestora de investimentos digitais Monetus. “Em geral, são aplicações que não valem a pena”.

Outro ponto de cuidado é que o investidor não deve, como diz o ditado, colocar todos os ovos na mesma cesta. “Um fundo de ações é um investimento de alto risco. Ao aplicar em um mono ação, você não diversifica, se expondo à história de uma única empresa”, alerta Soares.

Quais as empresas nas quais os fundos mono ação mais investem? E como eles surgiram? No ano 2000, uma medida do governo permitiu que os trabalhadores investissem parte dos seus recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) em papeis da Petrobras, como forma de estimular a estatal.

O mesmo ocorreu em 2002 com a Vale. Na época, esse investimento valia a pena, já que o rendimento ao longo dos anos era maior do que o retorno da poupança.

É por isso que as duas empresas concentram a maior parte dos mono ação: Petrobras, com 21, e Vale, com 14 fundos.

Também existem fundos de ações do Bradesco, BB Seguridade e Cielo.

 

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