Em meio à crise do coronavírus, os fundos que aplicam em investimentos no exterior estão vendo suas captações aumentarem em 2020, na contramão da maioria das demais aplicações.

Entre os 11 diferentes segmentos de fundos multimercado (que miram tanto mercados conservadores, como renda fixa, como mais arriscados, como ações), aqueles que investem em aplicações de outros países tiveram a maior entrada de recursos.

Foram R$ 11,6 bilhões no acumulado do ano até 5 de maio, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Seis segmentos desses 11 multimercados (com destaque para os classificados como “macro” e “juros e moedas”) observaram mais saída do que entrada de recursos, seguindo a tendência do mercado como um todo.

Entre janeiro e 5 de maio, em um cenário de volatilidade do mercado acionário, forte aversão a risco e saques para pagamentos de despesas que não podem ser adiadas, a indústria de fundos registrou saída de R$ 69,4 bilhões.

Como funcionam essas aplicações? Para serem classificados como fundos de investimento no exterior, essas aplicações precisam alocar 40% ou mais do seu patrimônio em ativos financeiros em outros países.

Vale a pena investir em fundos com investimento no exterior? Em primeiro lugar, é necessário lembrar da primeira regra apontada por todos os consultores financeiros: não coloque todos os ovos na mesma cesta.

A diversificação é especialmente importante em um momento como o atual, em que há muita imprevisibilidade no mercado.

Sobre os fundos que aplicam em ativos financeiros de outros países, tudo depende da sua percepção sobre o que vai acontecer com a economia de outros países e a do Brasil.

É uma aposta de que a economia americana (muitas das ações nas quais esses fundos investem são de empresas dos EUA) vai se recuperar mais rapidamente da crise do que a brasileira.

Outro benefício citado é que esse investimento pode servir como uma espécie de hedge (proteção) contra a tendência de desvalorização do real em relação ao dólar, que está mais acentuada do que em outros países.

“A crise veio para todo mundo. A tese dos investidores que vêm buscando esse tipo de fundo é que as empresas americanas, dada a diversificação geográfica e a solidez das suas empresas, sua facilidade de contratar e demitir, vão ter uma resposta melhor do que as brasileiras”, afirma Daniel Jannuzzi, especialista de investimentos da gestora digital Magnetis.

Qual o retorno médio desses fundos atualmente? Como o coronavírus prejudicou os mercados acionários no mundo todo, essas aplicações oferecem um retorno modesto no momento.

No acumulado do ano até o dia 5, os multimercado investimento no exterior renderam 1,9%. Não parece muito, mas é o maior retorno entre os diferentes segmentos dessa categoria de fundo.

Como escolher um bom fundo que investe no exterior? Em primeiro lugar, coloque no papel qual seu objetivo com o dinheiro separado para essa aplicação, avaliando em quanto tempo você quer sacar os recursos investidos (se você tem mais tempo, pode aumentar o nível de risco e possível retorno).

Ler com calma a lâmina do fundo escolhido, observando a taxa de administração e a consistência do retorno passado também é importante.

O que analisar ao investir em um fundo desse tipo? O primeiro é o risco. Por serem cotados em outras moedas, ativos estrangeiros têm uma volatilidade maior. Essa volatilidade também é determinada pelo tipo de ativo (há fundos que investem em ações de empresas, papéis de dívida pública de outros países etc).

Por isso, mesmo os fundos em ativos estrangeiros considerados mais estáveis não são recomendados para investidores conservadores. “Esse tipo de investidor se sente mais confortável quando investe em algo que ele entende e que está relacionado ao dia-a-dia do país em que ele vive”, analisa Gustavo Cruz, estrategista da gestora RB Investimentos.

Outro ponto importante a se observar é o câmbio. Alguns fundos de investimento têm mecanismos para neutralizar o efeito da valorização ou desvalorização do dólar sobre o preço do ativo. Outros não usam esse tipo de ferramenta como estratégia para surfar momentos como o de agora, em que o real está desvalorizado.

O estrategista da RB Investimentos lembra que o real está perdendo valor de forma mais intensa, comparado a outras moedas, e que essa volatilidade pode ser determinante para o resultado da carteira. De forma geral, a análise de Cruz é que esse tipo de aplicação ficará cada vez mais familiar para os investidores brasileiros, principalmente nesse contexto de crise.

“É provável que o Brasil tenha uma retomada mais lenta e que o resto do mundo saia à frente, por isso vale a pena avaliar essa classe de ativos, pela oportunidade de ter retorno maior e de preservar o patrimônio. Nós recomendamos sempre algum tipo de exposição”, diz Cruz.

 

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda? Você pode mandar suas perguntas para o e-mail [email protected]. Quem nos segue no WhatsApp também pode mandar sua dúvida. Se você quiser entrar no grupo, esse é o link: https://6minutos.com.br/whatsapp.