Parcelar, parcelar, parcelar. Os juros baixos e o momento de maior confiança na economia vêm elevando o número de meses para pagamento de financiamentos no Brasil.

O cartão de crédito parcelado, que há dois anos estava sendo dividido em 9 meses, em média, já está sendo pago em 10 meses, segundo dados do Banco Central.

No caso de aquisição de outros bens (principalmente eletrônicos e eletrodomésticos comprados no boleto), esse tempo é de 19 meses em média (era de 13 no final de 2017).

Mas será que vale a pena dividir a perder de vista? Tudo depende de quanto dinheiro você tem disponível e das condições oferecidas pelo varejista.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que o rendimento de investimentos em renda fixa caiu bastante nos últimos meses.

Três anos e meio atrás, quando a taxa básica da economia, a Selic, estava acima de 14% ao ano, planejadores financeiros aconselhavam parcelar as compras e deixar recursos rendendo em fundos conservadores, que acompanham juros — desde que, é claro, você tivesse esse dinheiro disponível.

Esse não é mais o caso hoje, com a taxa a 4,5% ao ano.

“Se for possível barganhar um pagamento à vista com desconto, vale muito a pena, principalmente no caso de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, que são mais caros. Hoje os investimentos em renda fixa não rendem muito”, lembra a planejadora financeira Malu Spricigo, da consultoria Par Mais. “Qualquer desconto de 10% vale a pena.”

Preciso comprar um produto e não tenho dinheiro agora. Ou seja, preciso parcelar. Quais os cuidados a tomar? A primeira coisa a ter em mente é refletir se você realmente precisa daquele produto.

Não é incomum que compras por impulso sejam seguidas por arrependimento e uma conta a pagar que consome uma parte importante do seu orçamento pelos próximos meses.

“É assustador você pensar que ficará mais de um ano pagando um valor em seu cartão. Será que a pessoa tem certeza de que estará empregada durante todo esse período?”, alerta Malu, da Par Mais.

Para evitar que as dívidas no cartão ou crediário virem uma bola de neve, uma boa dica é quitar as dívidas antigas antes de contrair novas.

“Dívida boa é aquela que foi quitada. O melhor é planejar e ter o dinheiro para comprar, pois o consumidor vai conseguir negociar condições muito melhores na aquisição de um bem”, afirma Roberto Vertamatti, diretor da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças).

 

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