No mundo dos investimentos, é muito comum dizer que determinada aplicação é direcionada a um perfil conservador, enquanto outra atende a investidores mais agressivos ou arrojados.

Com a taxa básica de juros no menor patamar da história, um número maior de brasileiros tem buscado investir em renda variável. O investidor brasileiro, no entanto, é tradicionalmente mais conservador do que a aplicação em ações, considerada arrojada.

Essa dicotomia fomenta a discussão: afinal, o que significa um perfil de investidor? Por que algumas pessoas são indicadas para determinados investimentos e outras para outros? É possível mudar o meu perfil?

Antes de mais nada, é preciso entender que melhor investimento é um conceito relativo. O melhor produto para cada investidor varia de acordo com diversos fatores, como o nível de risco que se aceita correr, o prazo e o objetivo do investimento. São esses fatores que o tal do perfil de investidor espera capturar.

O que é esse perfil de investidor e como ele afeta meus investimentos? Vamos do começo. Desde novembro de 2013, quando foi publicada a instrução 539 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), todos que oferecem investimentos são obrigados a verificar se produto e cliente são compatíveis.

Essa verificação busca dar a garantia de que investidores não serão induzidos a riscos de perdas e oscilações com os quais não tenham prévia ciência. “É fundamental entender qual é o apetite de risco e o objetivo do investidor, para que você possa oferecer um ativo que esteja dentro do que ele espera desse investimento”, avalia Amerson Magalhães, diretor de operações da Easynvest.

Importante frisar que a falta de compatibilidade entre investidor e investimento não proíbe que o cliente ainda assim decida contratar um determinado produto. Ele tem esse direito, desde que o intermediador deixe claro quais são os riscos embutidos e o investidor se diga expressamente ciente.

Como o perfil de investidor é determinado? De acordo com a CVM, as entidades devem levar em consideração três fatores para determinar a aderência do investimento ao cliente. Eles são:

  • Se ele é adequado aos objetivos de investimento desse cliente.
  • Se a situação financeira é compatível.
  • Se o cliente possui o conhecimento necessário para entender os riscos embutidos.

A entidade permite que os bancos ou corretoras façam a consulta aos seus clientes de forma pessoal ou por meios eletrônicos. Após a consulta, tanto os clientes quanto os produtos de investimento devem ser colocados em categorias pré-definidas, daí a combinação ou não entre cliente e produto.

Os critérios da CVM listados acima são destrinchados em uma lista de pontos que devem ser levados em conta e que vão desde a razão do investimento até a formação acadêmica do investidor. Segundo Magalhães, da Easynvest, há dois fatores que são essenciais: o risco e a liquidez do investimento.

A liquidez é o prazo em que um investimento pode ser resgatado após o pedido do investidor. Quanto maior a liquidez, mais imediato é o resgate. Já o risco é a mensuração de em que proporção um ativo pode se desvalorizar a ponto de que o investidor perca dinheiro.

Ao abrir a conta de um cliente, o procedimento usual é que os bancos ou corretoras enviem um questionário para ser preenchido. De acordo com o especialista, as questões principais a serem esclarecidas são quanto o investidor tem de patrimônio, quanto recebe mensalmente, qual é a sua familiaridade com investimentos e qual é a sua disposição a correr riscos.

Quais são os tipos de perfil de investidor? Como saber qual cada um pode investir? As categorias são um critério das instituições financeiras. No entanto, a prática de mercado padrão no Brasil é a divisão entre os perfis conservador, moderado e agressivo/arrojado.

O 6 Minutos pediu a Amerson Magalhães, da Easynvest, que desse exemplos de ativos recomendados para cada investidor. Segundo o especialista, um bom exemplo de investimento conservador é um título do Tesouro Direto atrelado à Selic. O risco é ínfimo e o título tem liquidez diária.

Um investimento moderado poderia ser um fundo multimercados, tipo de fundo de investimento que distribui a carteira entre diversas modalidades, desde que sem alavancagem. Alavancagem, em resumo simples, é a possibilidade de perder tudo, isto é, quanto o fundo investe com um risco superior ao próprio patrimônio.

Já o investidor agressivo/arrojado é apto a aplicar em basicamente qualquer tipo de investimento. Entram nessa categoria, por exemplo, os investimentos diretos em ações, que oscilam diariamente na bolsa de valores.

Meu tipo de investimento é permanente ou ele pode mudar?

Não só pode, como geralmente muda ao longo da vida. “O perfil reflete o momento. Um investidor mais agressivo comprou uma casa e, para isso, utilizou parte expressiva do seu patrimônio passa por uma mudança de perfil. Ele agora precisa diminuir a margem de risco e ter mais liquidez”, argumenta Magalhães.

O grande desafio para o perfil, de acordo com o especialista, é a compreensão adequada por parte dos clientes. No mercado, em geral, quanto maior o risco e menor a liquidez, maior é a possibilidade de rendimento desse investidor.

Essa equação tende a levar investidores a aplicações fora do perfil, com clientes conservadores buscando aplicações mais arrojadas sem a consciência adequada dos riscos. Para Magalhães, a intenção da regulação é evitar que um cliente que não vá aceitar uma eventual perda grande ou precise do dinheiro em um prazo curto faça a contratação desse produto, mesmo com esse potencial maior de ganho.

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