As incertezas sobre as perspectivas econômicas e médicas globais ainda são muito grandes para justificar a compra de ativos de risco no momento, e a onda vendedora pode piorar, segundo estrategistas do banco de investimento Credit Suisse e da gestora JPMorgan Asset Management.

“Os valuations dos ativos de risco tornaram-se mais atraentes, mas, devido à dificuldade de estimar ganhos futuros, não está claro que já estejam completamente baratos”, escreveu o diretor de investimento global do Credit Suisse, Michael Strobaek, em nota de 22 de março.

“É muito cedo para entrar novamente em ativos de risco de maneira significativa, porque mais vendas não podem ser descartadas em razão da evolução da pandemia e de suas consequências econômicas.”

As ações globais caíram mais de 30% em relação ao pico de 2020, e os spreads de crédito aumentaram muito com a venda de títulos de risco em meio à piora do surto de coronavírus. O número global de casos supera 339 mil, com mais de 15 mil mortes, enquanto cada vez mais países anunciam medidas para limitar a mobilidade dos cidadãos.

Retração da atividade histórica

Embora a potencial recuperação econômica deva ser acentuada, ainda não é o momento de aproveitar a baixa do mercado acionário para comprar, disse o estrategista do JPMorgan Asset Management, Michael Hood, em outro relatório. O fluxo de dados nas próximas semanas revelará uma “retração econômica de escala histórica” e as perspectivas dos EUA são extremamente incertas, disse.

“A corrida contra a dinâmica do tempo enquanto empresas tentam sobreviver em meio à demanda extraordinariamente baixa implica que algumas diferenças muito sutis determinarão se uma economia terá uma recessão em forma de V (que representaria uma rápida recuperação) ou U (uma retomada depois de algum período de estagnação)”, disse Hood. “Depende da rapidez com a qual as atuais restrições à atividade física possam ser levantadas.”

Semanas cruciais

Enquanto isso, as próximas duas a quatro semanas serão cruciais para os mercados financeiros, pois investidores precisam ver informações “significativas” de que as medidas de distanciamento social e contenção estão achatando a curva de contágio, de acordo com Strobaek.

“Esperamos que surjam sinais positivos nesse sentido”, afirmou. “Por enquanto, recomendamos esperar.”

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