Os fundos de renda fixa, que em sua maioria investem em aplicações que seguem a taxa de juros básica, a Selic, tiveram saída de R$ 70,2 bilhões apenas em dezembro. No balanço do ano, essa categoria, que responde por quase 40% da indústria de fundos, ficou negativa em R$ 69,3 bilhões.

Essa fuga da baixa rentabilidade das aplicações que seguem os juros básicos foi uma boa notícia para os fundos de ações e os multimercados, que investem em diferentes produtos.

A renda variável (ações) teve entrada de R$ 16,8 bilhões no último mês do ano, acumulando R$ 86,2 bilhões captados em 2019. A captação foi a maior entre todas as categorias de fundos, e representou um crescimento de 195% em relação a 2018.

Os multimercados tiveram o segundo melhor desempenho: uma entrada de R$ 66,8 bilhões em recursos no ano passado, alta de 37,3% na comparação com 2018.

Os dados foram divulgados hoje pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Como se divide a indústria de fundos atualmente, em termos de patrimônio das diferentes categorias? A indústria de fundos em geral tem um patrimônio de R$ 5,4 trilhões. Veja abaixo como esses recursos estão alocados:

  • 39,37% em fundos de renda fixa
  • 21,8% em fundos multimercado
  •  9,18% em ações

Como foi o comportamento da indústria como um todo? Apesar de ter registrado um resgate de R$ 51 bilhões em dezembro, consequência da forte saída dos fundos de renda fixa, ao longo do ano a indústria como um todo teve uma captação de R$ 191,6 bilhões, mais do que o dobro registrado no ano anterior (R$ 95,4 bilhões).

Qual a razão da fuga da renda fixa e alta das captações em ações e multimercados? O movimento é causado pela queda na taxa básica de juros, que está no piso histórico, em 4,5% ao ano. Isso faz com que o retorno desses fundos comece a perder inclusive para a inflação, dependendo da taxa de administração cobrada por eles.

“Diante das recentes reduções de juros e da renovação das expectativas em relação à manutenção da taxa Selic, intensificou-se o movimento de diversificação na alocação de recursos por parte dos investidores ao longo do ano. Isso explica o melhor desempenho da classe ações na sua história e a maior saída líquida da classe renda fixa dos últimos anos”, afirmou a Anbima em nota.

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