A advogada Carla Madsen Arruda, de Brasília, costumava trazer até algodão para tirar maquiagem de suas viagens ao exterior. Qualquer cacareco valia a pena. Mas, em sua última viagem, há dez dias, com a cotação do dólar passando a casa dos R$ 4,30, Carla foi bem comedida: “Não vale mais a pena trazer tudo. Eletrônicos, por exemplo, têm quase o mesmo preço dos daqui”, diz ela. Um iPhone Pro, segundo ela, custava no Canadá o equivalente a R$ 5.800. “Não valia a pena. Era só um pouquinho mais barato do que no Brasil e tinha que pagar à vista. Aqui dá para parcelar em até dez vezes”, conta ela.

Mas será que tudo ficou mais caro?

“Praticamente tudo, mas roupas ainda compensam muito”, diz o personal shopper Madson Barreto, de Fortaleza. Ele se dedica há oito anos a trazer encomendas de vestuário, eletrônicos, cosméticos e enxovais de bebê dos Estados Unidos para cá. “Nunca foi tão difícil trabalhar. Comparando, por exemplo, com 2015, estamos vendendo um terço do que vendíamos. A procura caiu demais porque é o preço que atrai o comprador”, afirma o sacoleiro, que já considera mudar de ramo se o a cotação da moeda estrangeira continuar tão alta.

Os artigos que continuam valendo a pena, segundo Madson, são as roupinhas e artigos para bebê, geralmente os artigos menores. Carrinhos, por exemplo, também não são mais bom negócio. Um modelo da marca Quinny, por exemplo, custa entre R$ 2.500 e R$ 3.100 no Brasil. Nos Estados unidos, ele sai por US$ 800, o equivalente, na cotação desta quarta-feira, 19, a R$ 3.498.24.

Artigos de vestuário, tanto infantil quanto para adultos, continuam sendo uma boa pedida porque as liquidações, principalmente nos Estados Unidos, são muito agressivas que as brasileiras. “Nos Estados Unidos é possível pagar US$ 3, US$ 4 por peças de alta qualidade para bebês. Quanto dá isso em reais? R$ 15, R$ 20, se a gente multiplicar por cinco? O que se compra com R$ 15 com qualidade tão boa? Nada”, diz a personal shopper especializada em enxovais infantis, Priscila Goldenberg, que há 11 anos se dedica a levar casais para fazer compras em seis cidades dos EUA e também na França e Portugal.

Economia na hospedagem

Priscila diz que a maioria de seus clientes é de classe média alta e que por isso ainda não sentiu queda no movimento. “Eles usam milhas para pagar as passagens, se hospedam em Airbnb em vez de hotel, não vão jantar fora todas as noites, mas não deixam de fazer as compras. No exterior, a variedade de produtos é muito maior.”

É o que acontece com os tênis, principalmente os de corrida. “Esses ainda são bom negócio trazer, porque muitos ainda nem foram lançados no Brasil, diz Madson.

E os cosméticos?

“Estão com preços muito parecidos, normalmente um pouquinho só mais baratos”, diz a advogada Carla. Na Sephora americana, um delineador Benefit custa US$ 22 (ou R$ 96, no câmbio de hoje). Na Sephora do Brasil, sai por R$ 125 – uma boa diferença, mas que já foi quase o dobro antigamente. “Um corretivo que uso estava custando R$ 70 lá no Canadá. Aqui pago R$ 80. Não trouxe porque a gente tem que ficar de olho também no peso da mala”, explica.

Mala pesada

Há alguns anos, muitas companhias aéreas mudaram sua política de franquia de bagagem, tanto em voos nacionais quanto internacionais. A maioria delas diminuiu a franquia de duas malas de 32 quilos para duas de 23 quilos – algumas permitem apenas uma de 23 quilos.

Outro fator que fez diminuir as compras lá fora foi a mudança nas regras dos freeshops nacionais. Desde janeiro, passou a vigorar o novo limite para compras em lojas francas de aeroportos, que passou de US$ 500 para US$ 1.000. Como muitas delas ainda aceitam cartão de débito ou de crédito nacional e parcelam o valor da compra, os turistas deixaram para gastar mais no aeroporto.

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