O Santander condiciona uma de suas taxas de juros mais baixas no crédito imobiliário — de 7,99% ao ano mais a Taxa Referencial — à manutenção, pelo cliente, de no mínimo R$ 1 mil todos os meses na poupança. Essa modalidade de aplicação tem rendimento negativo quando comparada à inflação.

Como funciona esse crédito? A taxa de 7,99% ao ano mais a TR só tem validade garantida pelo período de 12 meses, no qual a instituição avalia se o cliente cumpriu ou não as condições previstas em contrato. Caso as regras não tenham sido seguidas, a taxa sobe de 7,99% para 10% ao ano.

Mas a poupança não é a única exigência. Além de manter R$ 1 mil investidos na poupança todos os meses, o consumidor deve receber seu salário pelo banco, possuir um cartão de crédito e realizar uma compra de qualquer valor com ele todos os meses e ter um seguro ou um título de capitalização (veja abaixo).

Depois da primeira avaliação, que é realizada passados os 12 meses iniciais do financiamento, há reavaliações do relacionamento do cliente com o banco de seis em seis meses.

Mas a taxa de 7,99% ao ano é vantajosa, não? Em termos. Na comparação entre os juros mais baixos oferecidos pelos cinco maiores bancos do país, a taxa bonificada do Santander, como foi batizada, é a segunda mais alta cobrada atualmente, atrás apenas da do Banco do Brasil (de 8,29% ao ano).

Por que a poupança não é uma boa aplicação? Embora seja uma das modalidades de aplicação financeira mais populares entre os brasileiros, a poupança tem rentabilidade negativa quando se considera a inflação.

Com a queda da taxa básica de juros da economia, a Selic, para 4,5% ao ano, o ganho anual da poupança caiu para 3,15%. Dado que a projeção de mercado para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) neste ano é de 3,56%, isso significa que a aplicação não vai cobrir nem mesmo a inflação.

Exigir a contratação de produtos não é uma prática de todo o setor bancário para definir juros do financiamento imobiliário?  Sim. Condicionar uma taxa de juros mais baixa ao relacionamento do cliente com o banco é prática antiga do sistema financeiro. Todos os bancões negociam com os clientes um pacote de serviços ao qual devem aderir para ter direito a condições melhores, nem que seja uma cesta de serviços.

A novidade, no caso do Santander, é a exigência de manter dinheiro na poupança ao longo de todo o período do financiamento imobiliário e a previsão, em contrato, de que os juros subirão caso as condições não sejam cumpridas.

Quais os cuidados que devo ter com a taxa bonificada? É importante ficar muito atento para o fato de que essa taxa de juros pode subir dois pontos percentuais (de 7,99% para 10%) caso o cliente não consiga manter o valor de R$ 1 mil na poupança por todo o período do financiamento imobiliário.

“O conselho para o consumidor é: pare e entenda o contrato que está assinando. Se você assinar um documento que prevê que sua taxa de juros pode subir, entenda muito bem o que está fazendo”, afirma Rafael Sasso, cofundador da plataforma Melhortaxa.

O que diz o Santander? Procurado, o Santander destacou, por meio de sua assessoria de imprensa, os benefícios que oferece em seu crédito imobiliário:

  • Possibilidade de financiamento de até 90% do valor de imóveis residenciais na modalidade de parcelas atualizáveis (SAC – Sistema de Amortização Constante). “O aporte inicial para a aquisição de imóvel, que era de no mínimo 20%, foi reduzido para 10%”, afirmou o banco em nota.
  • Os financiamentos podem ser parcelados em até 420 meses, ou 35 anos.
  • O cliente pode somar a renda com a de mais uma pessoa, mesmo sem ter parentesco, para a análise de crédito e utilização do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
  • O processo pode ser feito totalmente online. O cliente vai à agência apenas para assinar o contrato.

Ainda segundo o banco, se o cliente eventualmente perder o direito à taxa bonificada, pode reaver o acesso a ela se voltar a cumprir as condições do contrato.

Como negociar o melhor financiamento imobiliário? Tudo depende das condições que cada cliente negocia com o banco, que não dependem somente da taxa de juros, mas também de fatores sobre os quais não pode alterar, como a faixa etária do tomador de crédito.

O próprio Santander, por exemplo, aparece em uma simulação feita pela Melhortaxa como o banco mais barato para quem tem 45 anos e como o segundo mais caro para quem tem 20 e 30 anos.

Uma pesquisa em todos os bancos, com a solicitação do CET (Custo Efetivo Total, que inclui os gastos com seguros obrigatórios e taxa de administração) em cada um, é essencial para fazer o melhor negócio.

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