Depois de um ano bastante ativo para ofertas de ações, que dispararam impulsionadas pela Selic na taxa mínima histórica, vendas de participações de estatais pelo governo e otimismo com a retomada econômica, o Santander Brasil projeta um 2020 ainda melhor.

O banco “tem uma visão ainda mais otimista” para o ano: R$ 200 bilhões em volume de ofertas, segundo André Rosenblit, head de equities do Santander Brasil. O número de IPOs (as ofertas iniciais de ação) deve saltar de cinco para 20, a bolsa deve superar os 130 mil pontos e a migração da renda fixa para variável deve continuar, disse ele.

Pessoas físicas

Com os estrangeiros ainda cautelosos com o Brasil, investidores locais foram os grandes responsáveis pelo avanço de 32% do Ibovespa em 2019, o quarto ano seguido de alta. Pessoas físicas depositárias na B3 somavam 1,6 milhão até novembro, número que praticamente dobrou em relação aos 800.000 registrados no final de 2018, “e esse número tende a crescer de forma ainda mais acelerada”, diz.

O Brasil ainda está muito atrás dos demais emergentes nessa área. Em alguns emergentes, a média dos que investem em ações é de 5% da população — mas, no Brasil, não chega a 1%, segundo o executivo. Na Índia, por exemplo, há mais de 6 mil empresas listadas, enquanto no Brasil são 400, diz ele.

A B3 prometeu ser “mais agressiva” para atrair pessoas físicas e disse estudar medidas como redução de tarifas de depositária e ações, disse o seu presidente, Gilson Finkelsztain, em dezembro.

“Estamos investindo bastante energia para aumentar esses números, Brasil ainda precisa crescer na cultura da renda variável”, disse Flavia Mouta, diretora de emissores da B3, em entrevista por telefone.

Peso do governo nas ofertas

Do valor recorde de R$ 200 bilhões que o Santander espera para 2020, quase metade deve vir de empresas do governo — entre participações do BNDES e unidades da Caixa.

Outros quase R$ 100 bilhões virão do setor privado: 20% das áreas de consumo, varejo e alimentação, 20% do setor de óleo e gás, 15% de elétricas e utilities (empresas de prestação de serviços de utilidade pública, como água), 15% do setor financeiro e 10% do setor de saúde, nas estimativas do banco.

Nesta semana, a incorporadora Mitre Realty Empreendimentos e a Locaweb deram detalhes de suas ofertas, que devem precificar em 3 e 4 de fevereiro, respectivamente. Entre as empresas que também devem estrear na bolsa estão BV (Banco Votorantim), Caixa Seguridade e Madero (este tem planos de abrir capital nos EUA).

As estreantes em 2019

Em 2019, o Grupo SBF (Centauro), a Neoenergia, a Vivara, a C&A e o Banco BMG estrearam no mercado acionário brasileiro. O total levantado com ofertas (iniciais e subsequentes) foi de R$ 115 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg, um acréscimo de mais de 200% em relação ao montante de 2018.  Foi o maior volume desde 2010.

O número total de ofertas — 64 transações — foi recorde histórico.

“A memória da taxa de juros alta ainda existe, mas isso acabou. Gestores e investidores têm de aprender a lidar com mais risco”, disse Rosenblit.

(Com a Bloomberg)

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