Mesmo com a forte redução anunciada pela Caixa na taxa mínima cobrada no cheque especial, os juros cobrados pelos bancos brasileiros na modalidade ainda estão a anos luz dos praticados em outros países.

O banco público anunciou nesta terça-feira (12) que cortará sua taxa de 8,99% para 4,99% ao mês a partir de 1º de dezembro. Com isso, a taxa anual do cheque especial passa de 180,95% para 79,38%.

É bem menor que a taxa média anual da modalidade , que foi de 307,6% ao ano em setembro, segundo dados do Banco Central. Mas ainda está muito acima da tarifa cobrada em outros países.

Nos Estados Unidos, onde os clientes pagam uma taxa para utilizar o “overdraft”, como o cheque especial é chamado por lá, a modalidade custa 17% ao ano, em média.

Na Alemanha, a taxa máxima praticada na categoria é de 22%, segundo dados compilados pelo economista Luis Roberto Troster, ex-economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e sócio da consultoria Troster & Associados.

“Mesmo com essa redução de juros pela Caixa, os juros do cheque especial continuam sendo absurdos”, avalia ele. “Falta educação financeira ou falta oferecer mais linhas para os consumidores?”.

Novas regras

A queda dos juros do cheque especial está na mira do Banco Central há alguns anos, mas as discussões em torno da necessidade de redução se intensificaram neste ano.

Tanto que a autoridade monetária deve anunciar, ainda nesta semana, mudanças nas regras da modalidade.

O mais provável é que o BC anuncie uma medida defendida pelos próprios bancos: que, assim como em outros países, como nos EUA, o cliente pague uma tarifa mensal para utilização desse crédito.

Atualmente, quem tem crédito pré-aprovado entra automaticamente no cheque especial. Com outra fonte de receita que não os juros da categoria, as instituições financeiras conseguiriam reduzir a taxa.

Modalidade é 10% da receita dos bancos

A receita com os juros do cheque especial é importante para os bancos. Apesar de representar menos de 1% de tudo o que está emprestado no sistema financeiro, responde por 10% dos ganhos do sistema financeiro com empréstimos, segundo relatório publicado pelo BC neste ano.

No estudo, a autoridade monetária calculou a margem dos bancos com os juros da modalidade e chegou à conclusão que, mesmo após descontadas as despesas com juros (ou seja, o quanto as próprias instituições financeiras pagam para captar recursos) e inadimplência, eles ganham R$ 96 a cada R$ 100 emprestados nessa modalidade.

Com a queda da taxa básica de juros (Selic) ao piso histórico, que não foi repassada ao consumidor, a rentabilidade dessa categoria de crédito para o sistema financeiro aumentou bastante nos últimos três anos. Se em dezembro do ano passado a margem era de 96,4%, em dezembro de 2015 era de 70,7%.

Em outras palavras, nesse intervalo de tempo o sistema financeiro passou a ganhar R$ 25,7 a mais a cada R$ 100 emprestados no cheque especial.

 

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