“Nós reconhecemos que a era do crescimento a qualquer custo acabou”. Foi assim, direto ao ponto, que o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, definiu o momento da empresa de tecnologia ao comentar os resultados no quarto trimestre de 2019, divulgado na noite de quinta-feira (dia 6).

O que o CEO quis dizer? A Uber simbolizou o modelo de negócios de crescer de forma acelerada, formar uma base formidável de clientes e daí buscar meios de fazer dinheiro com essa demanda — no jargão da nova economia, monetizar o negócio. Isso incluiu oferecer descontos agressivos em viagens chamadas pelo aplicativo ou em pedidos de entrega de comida, para citar duas ações mais conhecidas. Ao dizer que “a era de crescer a qualquer custo” acabou, Khosrowshahi sinaliza que os descontos serão ainda mais moderados.

Em que contexto se dá a mudança da Uber? Ela acontece, não por acaso, no momento em que um dos principais acionistas e investidores da Uber, o grupo japonês SoftBank, sofre pressão crescente por causa de investimentos que não deram o retorno esperado. O caso mais emblemático é o da WeWork, empresa de escritórios compartilhados que gerou um prejuízo bilionário no ano passado.

O que mais a Uber anunciou? A meta  de se tornar uma empresa lucrativa foi antecipada de 2021 para o fim deste ano.

Os números da Uber, no entanto, mostram que o desafio da empresa para se tornar financeiramente sustentável ainda é grande. No quarto trimestre de 2019, a companhia viu um aumento no número de corridas de passageiros e serviços, como o Uber Eats, mas o prejuízo líquido também cresceu e voltou a superar US$ 1 bilhão.

Veja os destaques do balanço financeiro e da operação global da Uber:

  • A receita líquida com as operações avançou 43% em relação ao quarto trimestre de 2018.
  • As receitas com corridas de passageiros avançaram 32%; com o Uber Eats, 154%. E com fretes, 75%.
  • O Ebtida (lucro antes de juros e amortizações) ficou negativo em U$ 615 milhões, ainda assim uma melhora de U$ 200 milhoes na comparação anual.
  • O Ebtida específico do segmento de desenvolvimento de novas tecnologias, como o veículo autônomo, foi negativo em US$ 130 milhões.
  • O prejuízo líquido foi de US$ 1,1 bilhão, 24% mais acentuado que no mesmo período de 2018.

O que explica o prejuízo? Um aumento de 13% no gasto com pessoal, impostos, assuntos jurídicos e informações de tecnologia. Também cresceu a despesa com desenvolvimento de soluções e infraestrutura interna. No balanço, a Uber informou que deve mudar a forma como faz o aporte dos recursos internamente.

Qual o contexto da Uber? A empresa ainda se recupera das denúncias de assédio entre passageiros e motoristas e batalha para manter as licenças para operar em alguns dos principais centros urbanos do mundo, como Londres. As políticas de segurança e preços das tarifas também estão mudando.

No Brasil, ela se prepara para começar a operar patinetes elétricos, como o 6 Minutos antecipou aqui.

O que mais disse a Uber: Nelson Chai, executivo financeiro, ressalta que a meta do Ebtida (lucro antes de juros e amortizações) para 2019 foi superada, inclusive no quatro trimeste. Agora, o foco está na otimização dos recursos usados internamente. “A recente venda da operação do Uber Eats na Índia mostra o o compromisso da empresa”, diz Chai.

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