Entre setembro de 2018 e setembro de 2019, 1,6 milhão de pessoas desistiram de assinar serviços de TV por assinatura no Brasil. Os números, divulgados no começo do mês pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), indicam a relevante queda de 9,1% na base em apenas 12 meses. Segundo a agência, naquele mês foram 16,2 milhões de acessos ao serviço.

É verdade que a queda foi mais acentuada entre os anos de 2015 e 2016, o ápice da mais recente crise econômica, quando o número de assinantes chegou a retrair mais de 1% em um único mês. No entanto, os dados refletem uma situação conjuntural, que inclui a maior concorrência proporcionada pela ascensão dos serviços de streaming, como Netflix e Prime Video.

A novidade é que agora começa a ficar mais clara a estratégia das operadoras para reagir e retomar espaço na preferência dos consumidores. Nos Estados Unidos, a Verizon deu um passo grande na última semana ao abolir as vendas de serviços de TV, telefone e internet em combos e também de exigir contratos de fidelidade dos consumidores.

Mas vai mais além. Segundo Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada em telecomunicações, uma das saídas passa por transformar os streamings de rivais em aliados. Com o lançamento de tantos serviços em um segmento em que antes a Netflix reinava sozinha, do Globoplay no Brasil à AppleTV e à Disney+ nos EUA, você já deve ter se perguntado como você vai assinar tudo, certo? É essa a pergunta que as empresas se preparam para responder.

E qual é a resposta? “A vocação da televisão por assinatura sempre foi a de ser uma agregadora de conteúdo, no caso, de canais. O que muitas operadoras estão passando a fazer é agregar também alguns serviços de streaming em seus pacotes”, explica Tude ao 6 Minutos. “Nos Estados Unidos, existem centenas de serviços desse tipo. E o que as operadoras estão fazendo é tentar reforçar esse papel, para que, com uma assinatura, você consiga o acesso aos serviços de que necessita.”

No Brasil, esse movimento também começa a ocorrer. Um exemplo é a Claro/NET, líder de mercado no país. Desde o ano passado, a operadora permite que seus clientes assinem a Netflix como um serviço adicional cobrado junto com a fatura da TV paga, permitindo ainda que o streaming seja acessado direto do decodificador.

A própria Claro/NET também concentra parte considerável da sua divulgação no serviço Now, que permite que os clientes acessem os conteúdos dos canais que assinam e aluguem programas adicionais.

A Vivo também segue esse mesmo movimento. Na simulação que a operadora oferta em seu site, serviços de streaming como os esportivos Watch ESPN e Esporte Interativo Plus, o infantil Discovery Kids On! e o entretenimento Fox Premium são relacionados como benefícios para os assinantes.

Um outro caminho para evitar a perda do mercado, segundo Tude, é o movimento das operadoras que se tornaram elas próprias serviços de streamings. É o caso da AT&T, outra gigante americana do segmento, que passou a investir também na produção de conteúdo próprio e exclusivo.

O caminho da Verizon de incentivar a assinatura dando ao cliente a segurança do cancelamento sem fidelidade não conversa tanto com o mercado brasileiro, no qual a Anatel já impôs um limite de 12 meses para a fidelização.

Mas está na raiz de outra ação tomada pelas empresas brasileiras, como a Sky e a Oi, de oferecer planos pré-pagos recarregáveis, que conversam com um outro tipo de usuário, aquele que utiliza o serviço para assistir a programas eventuais.

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