A poucos dias do aniversário de um ano do desastre de Brumadinho, que matou 255 pessoas e deixou 15 desaparecidas, as ações da mineradora Vale voltaram ao patamar em que eram negociadas antes do acidente.

Quais os números? As ações ordinárias da Vale (VALE ON) subiram 3,64% na segunda-feira (dia 13) e foram negociadas no fechamento a R$ 55,30.

No dia 24 de janeiro de 2019, véspera do rompimento da barragem em Brumadinho, a ação era negociada a R$ 56,15. Com o desastre, a cotação chegou a cair 26%, para R$ 41,59, no início de fevereiro.

Por que as ações se recuperaram? Depois do acidente, a Vale suspendeu por determinação das autoridades diferentes minas de rejeitos no Brasil para reforçar a segurança, o que derrubou a oferta do minério de ferro no mercado mundial e fez subir o preço da commodity. Isso aliviou as perdas com a paralisação. A melhora da demanda por minério na China contribuiu para reforçar as expectativas positivas.

Além disso, na medida em que os valores de multas e indenizações relativas ao acidente foram definidas pelas autoridades e pela Justiça, isso reduziu as incertezas sobre as despesas e abriu caminho para que a mineradora, do ponto de vista financeiro e dos investidores, começasse a virar a página do acidente.

A Vale voltou ao lucro no terceiro trimestre, momento em que despesas e provisões com Brumadinho somavam R$ 24 bilhões.

Quais as perspectivas para as cotações? Analistas do Bradesco BBI reiteraram recomendação “outperform”(ou seja, de que o desempenho esperado ficará acima do mercado) para os ADRs da empresa, com preço-alvo de US$ 21 dólares. Eles avaliam que a Vale passará por uma importante reavaliação para baixo de risco em 2020, o que impulsionará as ações.

Em relatório, o Credit Suisse também adotou tom positivo nas perspectivas para o minério de ferro no primeiro semestre, argumentando que os estoques da China — o principal comprador da matéria-prima no mundo — terminaram 2019 em níveis muito baixos.

Parentes e amigos fazem oração pelas vítimas da tragédia de Brumadinho
Crédito: Washington Alves/Reuters

O caso de Brumadinho está encerrado? Não. O Ministério Público de Minas Gerais planeja apresentar denúncias criminais nos próximos dias contra Vale e alguns de seus executivos e funcionários envolvidos no rompimento de barragem, enquanto o Ministério Público Federal continua a investigar o caso.

Andressa Lanchotti, promotora de Justiça e coordenadora da força-tarefa do MPMG que apura o desastre, disse à Reuters que a denúncia terá de 15 a 20 acusados, incluindo também trabalhadores ligados à empresa que atestou a estabilidade da barragem, a alemã TÜV SÜD, assim como as próprias companhias.

(Com a Reuters)

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda? Você pode mandar suas perguntas para o e-mail [email protected]. Quem nos segue no WhatsApp também pode mandar sua dúvida. Se você quiser entrar no grupo, esse é o link: https://6minutos.com.br/whatsapp.