As ações do IRB Brasil Resseguros desabaram mais de 30% nesta quarta-feira, após a Berkshire Hathaway, gestora de Warren Buffett, declarar que não é acionista da resseguradora brasileira, negando informações que circularam na mídia nos últimos dias. O episódio foi mais um revés para a companhia.

“A Berkshire Hathaway não é atualmente acionista do IRB, nunca foi uma acionista do IRB e não tem intenção de ser acionista do IRB“, afirmou a empresa de investimentos do bilionário norte-americano em comunicado.

O que aconteceu com as ações? No fechamento do Ibovespa, as ações do IRB caíram 31,96% e ficaram cotadas a R$ 19,05 — é o menor valor desde 2018. Para se ter uma ideia da intensidade da perda, em 31 de janeiro deste ano os papéis da empresa valiam mais de R$ 44.

A após a abertura do mercado, o IRB divulgou um novo comunicado afirmando que seu conselho de administração determinou a realização de uma “análise criteriosa” de sua base acionária.

Na última semana de fevereiro, o jornal O Estado de S. Paulo publicou que a Berkshire Hathaway havia praticamente triplicado a fatia que detinha na resseguradora em fevereiro. No dia da divulgação da notícia, a ações fecharam em alta de 6,6%.

O Estadão também publicou recentemente que a advogada Márcia Cicarelli, que segundo a reportagem representa a Berkshire Hathaway no Brasil, teria sido indicada para compor o conselho fiscal da resseguradora.

O que diz a empresa? Em comunicado ao mercado na véspera, o IRB Brasil RE disse que “nunca afirmou que tal grupo (Berkshire Hathaway) fosse seu acionista”. Mas algumas entidades do mercado contestam essa percepção.

“O anúncio (que negou a participação) veio após os administradores da companhia (IRB) confirmarem (em teleconferência) que a indicação de Márcia Cicarelli teria sido em função da aproximação da resseguradora com o fundo americano, que seria um parceiro de negócios e sócio do IRB“, ressaltou a XP Investimentos, em nota a clientes.

A equipe da Genial Investimentos também destacou em nota a clientes que, na segunda-feira passada, a direção do IRB organizou teleconferência com analistas para esclarecer a renúncia de Ivan Monteiro da presidência do conselho de administração e também falou sobre o relacionamento duradouro com a Berkshire e a posição dos acionistas na empresa.

A equipe do Credit Suisse avaliou que o comentário da Berkshire é negativo para a ação da resseguradora, “já que o indicativo de investimentos da Berkshire na companhia havia sido visto de forma positiva pelo mercado, indicando confiança na empresa”, conforme nota enviada pela corretora do banco a clientes.

Já a Guide Investimentos afirmou que além das cartas públicas da gestora Squadra questionando as práticas contábeis do IRB e a saída de Ivan Monteiro da presidência do conselho da empresa, a notícia de que Buffett não elevou sua participação, e nem mesmo é acionista da companhia, deve elevar, ainda mais, o nível de incerteza sobre o ativo.

Pode me falar mais sobre esse episódio com a Squadra? Em um relatório de cerca de 150 páginas divulgado em 2 de fevereiro, a gestora de recursos Squadra afirmou que possui uma posição vendida nas ações do IRB (ou seja, uma aposta de que as cotações vão cair) e questionou a veracidade de informações que constam dos resultados da resseguradora. O argumento principal é que o IRB considerou itens não-recorrentes (ou seja, extraordinários) como parte do resultado ajustado antes de impostos.

A contestação fez com que as ações do IRB despencassem, na época, mas boa parte das perdas acabaram sendo revertidas quando a empresa divulgou novas informações no balanço, e quando analistas do mercado demonstraram confiança com a operação da empresa. A CVM (Comissão de Valores Monetários) está analisando o caso.

(Com Reuters)

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