A Argentina talvez tenha que desembolsar ao menos US$ 880 milhões em subsídios neste ano para manter a companhia aérea estatal em operação, o que pode pesar ainda mais sobre as contas públicas após o nono default soberano do país.

O que aconteceu? O presidente da Aerolíneas Argentinas, Pablo Ceriani, disse que o déficit de orçamento da companhia, acima dos US$ 680 milhões em 2019, deve persistir até que a demanda se recupere, o que não é esperado por alguns anos. A aérea deve demorar cinco anos depois disso para atingir o ponto de equilíbrio, disse o executivo em entrevista em Buenos Aires.

“Uma das condições para a rentabilidade é a demanda, que não deve se normalizar até 2022”, disse Ceriani na sede da empresa no aeroporto Aeroparque Internacional Jorge Newbery. “Planejamos reduzir as perdas estruturais de maneira sustentada a partir de então. Esse é o horizonte razoável nesta situação.”

Você pode me dar um pouco mais de contexto? Assim como companhias aéreas no mundo todo, as operações da Aerolíneas Argentinas foram paralisadas pela pandemia de coronavírus. A Argentina implementou algumas das primeiras e mais rígidas medidas na América Latina para impedir a propagação do vírus, como interromper voos comerciais até 1º de setembro.

Mas, diferentemente de outras companhias aéreas globais, a Aerolíneas Argentinas está comprometida em enfrentar a crise sem demitir qualquer dos 12 mil funcionários, segundo Ceriani. “É uma política que visa manter empregos”, disse. “Cortar a renda afeta os trabalhadores que já enfrentam uma crise econômica.”

Qual é o plano da aérea para enfrentar a crise? Ainda assim, a empresa planeja afastar temporariamente cerca de 7,5 mil trabalhadores em junho e julho, de acordo com uma pessoa com conhecimento direto das conversas com sindicatos. No domingo, a companhia aérea disse que está em negociações avançadas para “reprogramar” pagamentos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco de la Nación Argentina.

Ceriani espera que a atividade comece a se recuperar no segundo semestre de 2021 e retomar investimentos em crescimento após 2022, quando pretende aumentar a frota com aviões de carga de corpo largo com rotas principalmente entre China e EUA como parte de um novo foco no transporte de carga.

Também há o plano de fusão com a companhia aérea irmã Austral Líneas Aéreas, um plano que, junto com o transporte de cargas e nova unidade de manutenção, deve gerar economias de US$ 100 milhões em três anos. A companhia aérea avalia o bloqueio de assentos do meio em todas as cabines, enquanto planeja um retorno seguro às operações, disse o executivo.

Retomar os voos para todas as capitais de províncias da Argentina significaria operar com 25% da atividade normal no mercado doméstico. As viagens ao exterior devem ser reinciadas apenas depois de novembro, disse Ceriani.

“Este ano provavelmente será o mais difícil da história da Aerolíneas Argentinas, assim como, provavelmente, será o pior ano da história da aviação”, disse.

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