O Banco Central aprovou um pedido da XP Inc., controladora da XP Investimentos, para que a empresa e o Banco XP possam ter seu capital 100% nas mãos de investidores estrangeiros. A decisão de José Reynaldo Furlani, chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro, foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (20).

Na semana passada, a XP entrou com pedido de registro junto à SEC (Securities e Exchange Comission), órgão regulador do mercado norte-americano que é equivalente à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), para realizar sua abertura de capital na bolsa Nasdaq. A oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) deve ocorrer ainda em dezembro.

O prospecto preliminar mostra que a oferta será primária, com a venda de novas ações injetando recursos no caixa da companhia, e secundária, com a venda de ações já existentes. Na secundária, devem vender ações os sócios controladores da XP, assim como os fundos de private equity General Atlantic e Dynamo. O Itaú Unibanco, que é sócio minoritário da corretora, não venderá ações.

Qual o tamanho da XP? Nas informações financeiras anunciadas, a corretora afirmou ter 1,5 milhão de clientes em suas três marcas (XP, Clear e Rico), e informou um faturamento de R$ 3,7 bilhões em 2019. O grupo detém mais de 2.000 funcionários.

“Nos estabelecemos como a principal alternativa para os bancos tradicionais, com um grande ecossistema de investidores pessoas físicas, investidores corporativos e instituições, que conta com 1,5 milhão de clientes ativos e acumula uma captação de R$ 125 bilhões em 2019 — um aumento de 148% em relação ao mesmo período do ano anterior”, afirma a empresa, no documento protocolado.

A XP se coloca como a maior plataforma de investimento independente do Brasil, com uma participação de mercado de 3%. Ela observa que a fatia detida pelas corretoras independentes deve subir para 25% em 2024 — sendo a XP a principal desse setor, é possível que ela abocanhe boa parte desse crescimento.

Como a XP faz dinheiro? A empresa falou sobre o seu modelo de plataforma aberta, com mais de 600 produtos de investimento. “De acordo com o mix de produtos e serviços, nós temos diversas formas de rentabilizar o nosso patrimônio sob gestão, incluindo taxas de administração, comissão e distribuição”.

A empresa tinha R$ 202 bilhões de patrimônio sob gestão em 2018, número que saltou para R$ 350 bilhões nos primeiros meses de 2019. A receita saltou de R$ 3,2 bilhões para R$ 3,7 bilhões no mesmo período. A XP observou que nos anos em que o PIB brasileiro encolheu, ela avançou em 92% o patrimônio sob gestão.

Como será a oferta de ações? A empresa informou que pretende ter suas ações classe A listadas na Nasdaq sob o código “XP” e que o Goldman Sachs, o J.P Morgan, o Morgan Stanley, o Itaú BBA e o Citigroup estão entre os subscritores do IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial).

A XP disse ainda, no documento enviado à SEC, que a ação classe A dará direito a um voto por ação, enquanto a ação classe B, que não estará à venda no IPO, dará direito a 10 votos por ação.

“Estamos confiantes que nos conectarmos com alguns dos maiores e mais inteligentes investidores é a melhor forma para darmos os passos seguintes no crescimento, e para capturarmos as vastas oportunidades à frente”, diz Guilherme Benchimol, fundador da XP, em uma carta endereçada aos futuros novos acionistas.

A XP não divulgou quanto espera levantar na abertura de capital, nem quanto da empresa será ofertado na Nasdaq. Não se sabe também quanto cada sócio preservará no controle da XP — vale lembrar que o Itaú detém 49,9% da empresa.

(Com Estadão Conteúdo)

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