Se depender do Bradesco, os dias do monopólio da Caixa Econômica Federal como gestora do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) estão contados. Presidente do banco, Octávio de Lazari defendeu nesta terça-feira (15) o fim da exclusividade do banco estatal e a abertura de uma concorrência pública para administrar o recurso dos trabalhadores.

“Temos interesse em participar da gestão e do pagamento dos recursos do FGTS ao trabalhador” disse o executivo, que ponderou que neste momento ainda não há nenhuma sinalização do governo ou projeto de lei que preveja a concorrência pública para esse trabalho.

“Caixa tomando R$ 7 bi dos trabalhadores”, diz Maia. Lazari criticou a taxa de administração que a Caixa cobra para gerir o Fundo, alegando que os valores são altos para o rendimento que o FGTS tem obtido, de cerca de 3%. Hoje, o FGTS administra cerca de R$ 550 bilhões dos trabalhadores.

Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o banco público “está tomando R$ 5 bilhões, R$ 6 bilhões, R$ 7 bilhões dos trabalhadores”.

“Se temos a Selic, os recursos do FGTS têm de ser remunerados pela Selic, pelo IPCA ou outro indexador que proteja um pouco o patrimônio do trabalhador”, sugeriu Lazari. “Concordo com o Rodrigo Maia. O fundo de garantia é a única poupança que o trabalhador de baixa renda tem”, acrescentou o executivo.

O que a Caixa pensa disso? Nos últimos dias, o banco tem se movimentado para evitar perder o monopólio sobre o FGTS. Uma das possíveis saídas é reduzir a taxa, que hoje é de 1%, para 0,8%. No ano passado, a Caixa recebeu R$ 5,1 bilhões pela administração do Fundo. Com a redução, esse valor teria caído para R$ 4,08 bilhões.

O discurso oficial do banco é de que, caso o monopólio acabe, vai aumentar o custo para as regiões Norte e Nordeste e cidades mais distantes dos grandes centros. Pelo levantamento da Caixa, cerca de 700 municípios só tem o banco estatal operando.

(Com Estadão Conteúdo)

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