Principal compradora de carne bovina do Brasil, a China começa a retomar importações da proteína a níveis elevados, depois de uma desaceleração ocorrida no primeiro bimestre em meio à crise do coronavírus, de acordo com integrantes do mercado consultados pela Reuters nesta sexta-feira (27).

“Os chineses voltaram a comprar com mais intensidade, voltaram a fazer pedidos (maiores). Os preços não são os mesmos do fim do ano passado, mas são bons preços e com esse (patamar de) câmbio ajuda muito”, disse à Reuters uma fonte de uma grande exportadora sob condição de anonimato.

O que aconteceu? Um movimento mais agressivo dos chineses no Brasil, maior exportador global de carne bovina, potencialmente deve beneficiar empresas como Marfrig, JBS e Minerva –no caso das duas últimas companhias, elas chegaram a dar férias coletivas devido a impactos do coronavírus.

Cesar de Castro Alves, consultor de Agronegócio do Itaú BBA, concorda que houve uma melhora no ritmo de negócios entre Brasil e China recentemente, embora este movimento ainda não tenha aparecido nos últimos dados de exportação de carne.

Até a terceira semana de março, os embarques totais da carne bovina in natura estavam, em média, 7% mais baixos na comparação com o mesmo período do ano anterior e eram 5% inferiores a fevereiro, ressaltou o Itaú BBA em levantamento.

Segundo a fonte da exportadora, a recente retomada de pedidos da China se deve aos sinais de arrefecimento do coronavírus no país e ao recuo nos níveis de estoques locais.

“O enfrentamento da peste suína africana (PSA) sugere necessidade (chinesa) de importação de 2,9 milhões de toneladas de carne bovina neste ano”, estima o Itaú BBA.

“Com a China indicando a volta à rotina, interrompida com a epidemia, a exportação de carne deverá continuar a ajudar no escoamento da produção”, informou a Scot Consultoria nesta sexta-feira em boletim.

Movimento aumenta valor da arroba. No mercado físico, Gustavo Machado, analista da consultoria Agrifatto, disse que o prêmio pago pelo gado do “tipo China” já alcança R$ 10 reais.

Segundo Machado, no ano passado, este prêmio estava em R$ 4 por arroba. “Desde o início de 2020, os chineses não tinham voltado a comprar com força e ficamos sem um padrão para o valor do prêmio.”

Na quinta-feira, o Indicador do Boi Gordo Cepea/B3 subiu 1,18% na variação diária e voltou a superar a marca de R$ 200 por arroba, ao fechar cotado em R$ 201,85 por arroba.

A volta da China com maior força ao mercado nacional é uma boa notícia, em um momento em que a economia brasileira é fragilizada pelos efeitos do coronavírus, acrescentou o analista da Agriffato.

“Com o coronavírus impactando poder de compra por aqui, a participação da China fica ainda mais importante.”

Ainda há risco econômico. O consultor do Itaú BBA pondera que o mercado chinês não terá a mesma força esperada antes do aparecimento do coronavírus, mas ainda assim é um grande comprador no Brasil, e precisa de proteína para lidar ainda com a redução da oferta de carne suína, em função do impacto nos plantéis da peste suína africana.

“Chama atenção a piora dos números previstos para o PIB chinês após o coronavírus, que no Itaú BBA foram revistos de 5,3% para 3,3%.”

A Scot Consultoria, por sua vez, aposta no retorno à normalidade da China e demais compradores da proteína brasileira, “conforme o controle da doença prevaleça”.

A fonte da exportadora, na mesma linha da Scot, acredita que a revisão negativa no PIB chinês pode prejudicar as importações de outras commodities, como petróleo e minério de ferro, mas a compra de alimentos não seria afetada devido à necessidade de segurança alimentar.

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