Os números expressivos de crescimento em lançamentos e vendas de imóveis residenciais em 2019 estão se refletindo na saúde financeira das incorporadoras dedicadas a esse segmento. Da receita obtida com vendas ao lucro, passando pelo caixa e pela dívida, os números mostram que a retomada é para valer para as empresas.

O valor de mercado somado de 11 companhias com capital aberto na B3 atingiu R$ 42,4 bilhões no último dia 21, o que representa um crescimento de 101% na comparação com as cifras no fim do ano passado (a soma era de R$ 21 bilhões), segundo levantamento da consultoria Economática.

Quais empresas foram analisadas? Cyrela, Eztec, MRV, JHSF, Even, Trisul, Helbor, Direcional, Tecnisa, Rni e Cr2. Foram adotados três critérios para a definição da amostra: ter capital aberto na bolsa, ser dedicada ao mercado de imóveis residenciais e ter divulgado resultados desde 2014, para ser possível comparar.

Sete das 11 incorporadoras tiveram crescimento acima de 100% no seu valor de mercado no acumulado do ano: o maior deles foi da Trisul, cujo valor de mercado saltou de R$ 599 milhões no fim de 2018 para R$ 2,59 bilhões no último dia 21. Foi um avanço de 333%.

Quais os demais números? A receita operacional líquida das 11 empresas totalizou R$ 4,25 bilhões no terceiro trimestre, um avanço de 31% em relação ao mesmo período do ano passado.

O lucro líquido somado das 11 companhias ficou em R$ 434 milhões entre julho e setembro. Foi o melhor resultado em quase quatro anos, desde o quarto trimestre de 2015 (quando foi de R$ 631 milhões).

A dívida líquida caiu ao menor patamar da série comparativa, iniciada no quarto trimestre de 2014: ficou em R$ 5,82 bilhões no terceiro trimestre. Um ano antes, o endividamento somado era de R$ 7,73 bilhões.

Como isso me afeta? A saúde financeira das incorporadoras se reflete em retorno para os seus acionistas e também em um número maior de lançamentos de imóveis no mercado: com dinheiro em caixa, as empresas compram terrenos, erguem os edifícios e fazem a comercialização dos imóveis. Ou seja, a recuperação financeira das companhias contribui para o aumento da oferta de novos apartamentos e casas.

O que explica os resultados positivos? O principal fator é a retomada da demanda, impulsionada pelo ambiente de inflação e juros baixos – a guerra do crédito imobiliário tem derrubado as taxas de financiamento ao consumidor, o que significa que um número maior de famílias tem acesso a esse mercado.

Para as incorporadoras, pesou também a entrada em vigor da chamada Lei dos Distratos, que colocou regras para os casos em que uma pessoa desiste da compra do imóvel com o contrato já assinado. A lei fixou em 50% o teto que a empresa pode reter em caso de desistência, reduzindo o número de ocorrências em que ela tinha que fazer a devolução da maior parte do valor já desembolsado pelo apartamento ou casa adquirida.

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