A Caixa Cartões, divisão de meios de pagamentos da Caixa Econômica Federal, pretende chegar a acordos de parcerias em quatro linhas de negócios antes de se listar na B3 com uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), disse o novo presidente da companhia, Júlio Cesar Volpp.

Quais são essas áreas? São as áreas de adquirência (na qual os pagamentos são realizados por meio das maquininhas, o que deu origem ao nome guerra das maquininhas) e de emissão de cartões de crédito e de débito, cujas concorrências para encontrar parceiros já estão em andamento. Além delas, a Caixa Cartões também abrirá consultas de interessados em parcerias para cartões pré-pagos e para programas de fidelidade, afirmou Volpp.

Qual o contexto das parcerias? A criação de uma subsidiária operacional em cartões foi o caminho encontrado pelo banco estatal para se equiparar aos demais grandes bancos de varejo do país, que têm operações próprias nessas áreas.

Em adquirência, por exemplo, a Caixa captura transações de cartões por meio de acordos operacionais com Cielo, que é controlado pelo Bradesco e o Banco do Brasil, e Rede, que pertence ao Itaú Unibanco. O braço do Santander Brasil no setor é a GetNet.

Qual a estratégia do banco? “Ainda há muito espaço não preenchido no mercado de pagamentos”, disse o executivo à Reuters, na primeira entrevista desde que assumiu no início desta semana o comando da Caixa Cartões, deixando a vice-presidência de varejo da Caixa Econômica.

De acordo com Volpp, apesar da multiplicação de adquirentes e subadquirentes no país nos últimos anos —  atualmente há mais de 100, segundo dados do Banco Central –, a Caixa pode aproveitar vastas regiões do país ainda pouco exploradas pela indústria, inclusive em municípios nos quais a Caixa é o único banco presente.

“A captura de pagamentos ainda não é plena no país”, disse. “Também vemos oportunidades para explorar mercados ocupados por concorrentes.”

O que mais se sabe desse IPO da Caixa Cartões? O braço de pagamentos deve ser o segundo de uma lista de quatro subsidiárias da Caixa que o presidente do banco, Pedro Guimarães, pretende listar na bolsa.

O primeiro é a Caixa Seguridade, que no começo da semana anunciou uma parceria em capitalização com a Icatu Seguros, após ter feito parcerias em outras áreas com a Tokio Marine e a CNP Assurances. Os acordos fazem parte da para o IPO, previsto para abril.

O que deve acontecer agora? Segundo fontes, seis empresas estão participando da fase final da concorrência da Caixa Cartões em adquirência. No negócio de emissão de cartões, duas empresas de bandeiras concorrem para formar joint venture com a Caixa. O desfecho de ambos os negócios deve ser anunciado nas próximas semanas, disseram as fontes, que preveem o IPO da unidade de cartões para setembro.

Volpp disse que, quando a joint venture na área de adquirência entrar em vigor, acordos operacionais atuais que a empresa tem com Cielo e Rede cessarão em 30 dias.

(Com a Reuters)

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