O SoftBank é uma empresa de investimento que abraçou a causa da economia compartilhada. O seu fundador e CEO, Masayoshi Son, vinha orientando os aportes em startups que ajudam pessoas a dividir o uso de carros, salas e escritórios, com investimentos na Uber e na WeWork, por exemplo. Mas, em meio à pandemia do coronavírus e as medidas de distanciamento social, esses setores perdem vez. E mexe com os pilares do SoftBank.

Como é esse impacto? Na cidade de Nova York, o espaço de coworking da WeWork, que recebeu aporte bilionário do SoftBank, está praticamente vazio, pois os inquilinos estão em casa por receio de contágio.

Em Xangai, motoristas do aplicativo de transporte DiDi Chuxing – que é dona da 99 no Brasil – enfrentam forte queda do faturamento, pois clientes têm evitado automóveis compartilhados e pouco saem de casa.

Em São Francisco, Dara Khosrowshahi, diretor-presidente da Uber Technologies, outro investimento da SoftBank, disse: “Eu não colocaria meus filhos em um Uber”, devido às ordens de ficar em casa.

Como o mercado está vendo isso? Investidores estão preocupados com a estabilidade do império de Son e de seu Vision Fund, com US$ 100 bilhões em ativos. As ações da SoftBank acumulavam queda de cerca de 50% em um único mês em março.

Em resposta, o empresário japonês do SoftBank lançou a estratégia de vender parte de sua participação no Alibaba Group e outros ativos para levantar US$ 41 bilhões destinados à recompra de ações e à redução de dívidas. O chinês Alibaba é um dos maiores grupos de tecnologia do mundo.

Qual o efeito das medidas? A transação planejada ainda não reduziu a vulnerabilidade de um edifício construído sobre os pilares da economia compartilhada, que foram derrubados desde que o confinamento virou norma.

As ações do SoftBank subiram cerca de 40% desde que Son anunciou o plano, que deve incluir a venda de US$ 14 bilhões em ações do Alibaba. Mas o preço da ação ainda está 30% abaixo do pico de fevereiro.

A agência de classificação de risco Moody’s questionou a venda de ativos valiosos em meio à piora do mercado e cortou ainda mais a nota de crédito do SoftBank, que já é classificada como “junk”, o que significa que é avaliada como sendo de alto risco. O SoftBank acusou a Moody’s de viés, mas as ações caíram 9,4% na quinta-feira (dia 26).

Representantes do SoftBank e do Vision Fund não quiseram comentar.

(Com Bloomberg)

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