Pela segunda vez em muitos anos, a Apple teve que reduzir as estimativas para vendas por causa de eventos inesperados na China, o país que tem sido motor de seu crescimento e sucesso. Primeiro, a guerra comercial com os Estados Unidos; agora, o coronavírus. Ambos reacendem o debate sobre o papel da China como parceiro confiável de mercado e cadeia de suprimentos para a fabricante de eletrônicos mais valiosa do mundo.

O que aconteceu? Na segunda-feira (dia 17) no fim do dia, a Apple anunciou que não vai conseguir cumprir a sua previsão de resultados (guidance) para o trimestre que termina em 31 de março, que já tinha um intervalo mais amplo que o habitual devido à imprevisibilidade do surto de coronavírus. No fim de janeiro, a Apple havia estimado que as receitas ficariam entre US$ 63 bilhões e US$ 67 bilhões no período.

A notícia reforçou o temor de investidores e analistas quanto ao impacto do coronavírus na economia global.

Por que o anúncio da Apple mexeu tanto com os mercados? Embora outras empresas já tivessem anunciado impacto nos seus negócios ou na previsão para os próximos meses, nenhuma tinha o tamanho e a relevância da famosa empresa de tecnologia, que é a maior do mundo em valor de mercado.

Como o coronavírus impacta os negócios da Apple? O coronavírus, que paralisou a produção e a logística meticulosamente orquestradas da China, atingiu a oferta e a demanda da empresa famosa pelo iPhone. As fábricas retomam as operações mais lentamente do que o esperado e a maioria de suas 42 lojas no país está fechada, ilustrando a alta exposição de seus negócios a problemas no país mais populoso do mundo.

É provável que uma queda das vendas na China seja o impacto mais imediato neste trimestre, enquanto gargalos generalizados na produção correm o risco de afetar a receita global do iPhone nos meses seguintes.

Qual a importância da China para a Apple? Ao entrar na empresa no fim dos anos 90, o CEO da Apple, Tim Cook, transformou a cadeia de fornecimento da Apple na eficiente máquina que tem sido motivo de inveja há muito tempo no setor. Os produtos são fabricados na China com mão de obra barata, porém qualificada, e exportados para o mundo em questão de dias. Dependendo da Foxconn Technology, de Taiwan, para executar operações no terreno e dos altos investimentos chineses em transporte para garantir a logística, a Apple se tornou uma empresa de trilhões de dólares vendendo principalmente iPhones, iPads, Macs e acessórios fabricados na China.

Responsável por milhões de empregos no país, a Apple de Cook também ganhou a simpatia do governo chinês para obter um acesso ao mercado que é incomparável entre os pesos-pesados da tecnologia dos EUA. O Facebook e o Google olham de fora, enquanto a Apple pode vender todos seus aparelhos no mercado chinês. A empresa fundada por Steve Jobs, com sede em Cupertino, na Califórnia, fatura mais de US$ 40 bilhões por ano na China, atrás apenas das vendas nos EUA e Europa. Essa força, porém, também é a fonte da vulnerabilidade da Apple.

O surto da doença pode afetar o lançamento de produtos neste ano? A Apple se prepara para lançar um iPhone de baixo custo por cerca de US$ 400, segundo a Bloomberg News. O modelo ainda pode ser lançado em março, embora os planos possam ser mudados, segundo pessoas a par do assunto. A Apple também prepara modelos atualizados do iPad Pro com um novo sistema de câmera para o primeiro semestre.

(Com a Bloomberg)

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