A Vivara, famosa por suas joias e por ter estrelas como a modelo Gisele Bündchen e a atriz Marina Ruy Barbosa em suas campanhas publicitárias, deu início ao processo de abertura de capital na bolsa brasileira, a B3. A rede de joalherias entregou a documentação à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta segunda-feira (dia 19). Se tudo correr conforme o planejado, o IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial) será no dia 24 de outubro.

Vamos aos números: No prospecto apresentado à CVM, a Vivara revela que obteve uma receita líquida de R$ 1,1 bilhão em 2018. O lucro líquido foi de R$ 198,4 milhões, e a margem líquida ficou em 18,7%. A empresa se descreve como líder em participação de mercado (mas não revela a fatia) na venda de relógios e joias no país, com uma base de 4,3 milhões de clientes cadastrados — importante destacar que não são clientes ativos.

A Vivara informou que vende cerca de 300 mil peças por mês por meio de sua rede de 234 lojas físicas e próprias, um site, um canal de vendas por telefone e um serviço direto para empresas (B2B).

A empresa tem as marcas Vivara, Life by Vivara, Vivara Watches, Vivara Fragances e Vivara Accessories. As duas primeiras respondem por mais de 80% das vendas.

De quem é a Vivara? A rede de joalherias pertence à família Kaufman. O principal acionista é Nelson Kaufman, com 48% do capital.

Quanto a Vivara pretende levantar com o IPO? O número não foi revelado no prospecto, mas, segundo o jornal Valor Econômico, o plano é obter cerca de R$ 1,5 bilhão.

Como o dinheiro será utilizado? Parte dos recursos levantados será destinada para os atuais acionistas; e outra parte bancará investimentos, como a abertura de novas lojas, a reforma das já existentes e o lançamento de novas marcas e produtos, além da integração entre o canal digital (site) e a rede física.

Qual o contexto: A expectativa de aprovação de uma reforma da Previdência ambiciosa deve ajudar a destravar algumas ofertas iniciais de ações de empresas brasileiras nos próximos meses por causa da redução das incertezas na economia local, segundo especialistas. Essa onda de abertura só não será maior por causa da piora do cenário externo, que tem afugentado do mercado brasileiro principalmente investidores estrangeiros.

Neste ano, apenas duas empresas já abriram o capital na B3: a Centauro, varejista de artigos esportivos, que captou R$ 772 milhões em abril, e a Neoenergia, que levantou R$ 3,74 bilhões em junho.

Quais os atrativos da Vivara como negócio? A empresa destaca que funciona com um modelo verticalizado, que vai da criação e do design de joias até a distribuição e venda ao consumidor final. E que consegue mapear o padrão de consumo dos 4,3 milhões de clientes cadastrados, o que lhe permite fazer ajustes como o adotado na recessão de 2015 e 2016, quando aumentou a produção de joias de prata, mais acessíveis do que as de ouro.