Sofrendo com a crise decorrente da pandemia da covid-19, a Latam estuda pedir recuperação judicial no Brasil e no Chile. Um pedido já foi registrado nos EUA na manhã desta terça-feira (26).

Por que um pedido triplo? Isso visaria acomodar dificuldades da natureza da companhia, que é chilena mas tem a maior parte de suas operações no Brasil. Um pedido nos EUA permite à companhia acessar o Capítulo 11 da lei de falências americana, que autoriza a negociação com e arrendadores de aeronaves, o que não é possível pela lei de recuperação judicial brasileira.

Procurada, a Latam informou não comentar especulações. Disse ainda que, “se o grupo tivesse algo a comunicar, em particular, fatos que se exigem relatar, em primeiro lugar, às autoridades reguladoras, isso seria feito por meio de canais formais, pela responsabilidade que tem perante as autoridades, seus funcionários e o público em geral”.

Qual o contexto da Latam? A Latam é vista como uma das aéreas com maior dificuldade para atender as condições de acesso ao pacote emergencial para o setor aéreo que está sendo preparado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), na avaliação de especialistas. Isso porque não tem capital aberto no Brasil, o que dificultaria seu acesso ao modelo de auxílio que está sendo estruturado.

Segundo apurou a reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, a companhia contratou recentemente o banco PJT Partners para ajudá-la na reestruturação de sua dívida. Há relatos de atrasos em pagamentos por parte da empresa.

O que as agências de risco dizem? Diante da inadimplência, as agências de classificação de risco de crédito Fitch e S&P rebaixaram a nota da empresa na semana passada.

A Fitch destaca que não estava claro se a companhia pretendia cumprir com a obrigação ou se iria iniciar um processo de reestruturação de dívida maior.

Já os analistas da S&P escreveram que “as preocupações com uma reestruturação da dívida ou um pedido de falência estão aumentando”.

Em março, o UBS havia afirmado, em relatório, que a Latam era a companhia aérea com atuação no mercado doméstico mais vulnerável à crise. Segundo cálculos do banco, o caixa da empresa deveria ficar negativo já neste segundo trimestre com a redução dos voos em 70%, corte anunciado pela Latam à época. A Avianca era outra empresa nessa situação.

(Com Estadão Conteúdo)

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