O varejo já espera um cenário catastrófico, caso persista a paralisação do consumo para tentar conter os novos casos de coronavírus. A CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) já estima uma perda de mais de R$ 100 bilhões até maio. Se as restrições durarem mais, o tombo será ainda pior.

Por outro lado, a determinação para que os brasileiros fiquem em casa está impulsionando os números do comércio eletrônico. Segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) alguns sites têm registrado, desde 12 de março, alta de até 180% nas vendas, em especial de itens alimentares e farmacêuticos. São os chamados itens “defensivos” — aqueles de uso essencial pelo consumidor.

Mas e o varejo de vestuário, eletrônicos, cosméticos e outros? Esses segmentos são mais afetados pelo fechamento de lojas físicas e pela própria diminuição da atividade econômica. Caso o nível de desemprego suba e a renda caia, a tendência é que o consumo desses itens seja menor.

“Ninguém vai conseguir compensar completamente as perdas causada pelas lojas fechadas. Mas as empresas que dedicaram mais esforço ao e-commerce podem sair um pouco à frente”, conta Henrique Esteter, analista da corretora Guide.

Ele lembra que as varejistas devem ter um fluxo de caixa negativo nos próximos meses e que, portanto, as empresas que estiverem com a saúde financeira em dia devem ter mais margem de manobra para lidar com as dificuldades.

Quais empresas estão nessa situação? 6 Minutos pediu que o analista comparasse a situação de empresas listadas na bolsa e do mesmo setor, para identificar qual está mais bem posicionada. Começando pelas varejistas de marketplace.

Via Varejo x Magazine Luiza x Lojas Americanas

A queridinha Magalu sai à frente, por dois critérios. O primeiro é a liquidez (o caixa da empresa está fortalecido), e segundo é a atuação digital, que tem sido o grande foco da gestão da varejista. “Ela está sendo negociada com um prêmio, mesmo após as quedas, mas aqui vale a máxima: as empresas mais estruturadas tendem a sofrer menos”, diz Esteter.

A Lojas Americanas tem deixado suas unidades físicas abertas, e adaptou o portfólio de produtos. “A empresa está transformando suas lojas em mini-mercados, com a oferta de produtos de saúde, como álcool em gel e máscaras, e de alimentos”, conta o analista da Guide.

A Via Varejo terá mais dificuldade em fazer esse tipo de adaptação, e não tem um caixa tão fortalecido quanto as outras duas.

GPA x Carrefour

Embora o setor de supermercados tenda a se beneficiar como um todo, há uma preocupação quanto ao desabastecimento. O consumidor tem encontrado gôndolas vazias quando vai às compras, mas isso ainda não é sinal de falta de estoque, como explica essa matéria.

Sendo assim, o que difere a atuação das duas empresas é a saúde financeira. Nos últimos meses, o Carrefour saiu na frente, com o fortalecimento da sua rede de atacado. Já o Pão de Açúcar se desfez de ativos secundários e ainda está tentando acertar o rumo no segmento de alimentos, principalmente no atacado.

“As vendas nas mesmas lojas do Carrefour estão crescendo, enquanto o GPA teve problemas com o fluxo de caixa”, lembra Esteter, da Guide.

Lojas Renner x C&A

A mesma lógica se aplica para essas duas varejistas. É consenso entre os analistas que a Renner está com a operação e o caixa mais “redondos”, embora a C&A tenha se capitalizado por meio de um IPO, no ano passado.

Prejudicadas por estarem em um segmento puramente “não essencial”, essas empresas encontram nas vendas on-line o único canal de escape para esse momento. “A C&A tem muito o que demonstrar em termos de execução. A Renner está mais bem posicionada no negócio digital, e já disse que focará nesse canal”, diz o analista.

Bônus: RD (RaiaDrogasil)

Não é difícil imaginar que além dos supermercados, outro segmento que está ampliando as vendas é o de farmácias. Na bolsa, enquanto as outras varejistas acumulam queda de 50%, 60% ou até mais no valor das ações, os papéis da RD (RaiaDrogasil) caíram só 8%, como conta Esteter, da Guide.

“Setor farmacêutico deve sofrer menos, pois ficará de portas abertas e tem produtos de alta demanda, nessa crise”, ressalta o analista. Ele lembra, no entanto, que há uma pressão sobre os preços de itens como álcool em gel e máscara — alguns governos já determinaram a venda a preço de custo. Sendo assim, as maiores margens das farmacêuticas continuarão a ser sobre os medicamentos.

As duas maiores redes de farmácia do país são a RD e a DPSP (Drogaria Pacheco São Paulo). Embora a segunda não seja listada na bolsa, a visão é que a RD teve estratégias mais bem acertadas que a concorrente, como a opção de compra pelo site ou aplicativo e retirada em loja em até 1 hora após a confirmação do pagamento.

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