Alguns dos maiores compradores de aeronaves do mundo estão pedindo à União Europeia que libere o acordo da Boeing com a Embraer, temendo que a unidade de aviação comercial da empresa brasileira enfrente dificuldades caso continue independente. O aval europeu é o que resta para que o negócio seja concretizado.

São grupos internacionais que compram as aeronaves para arrendá-las para as companhias aéreas.

Qual o contexto desse pedido? A Airbus, maior fabricante de aviões da Europa, aumentou nesta semana sua participação no programa regional de jatos A220, uma vez que a canadense Bombardier vendeu a sua parte no projeto que havia montado. O A220 será um concorrente das aeronaves fabricadas pela Embraer.

Segundo analistas, o aumento da participação da Airbus no A220 deixa a Embraer cada vez mais exposta, apesar de sua longa história bem-sucedida como fabricante independente, e aumenta a pressão sobre a empresa brasileira e a gigante norte-americana Boeing para concluir o acordo de parcerias entre elas.

O que é a parceria da Embraer com a Boeing mesmo? O acordo avaliado em US$ 4,2 bilhões, aprovado pelos acionistas da Embraer há um ano, prevê a criação de uma associação (joint venture) entre as duas companhias reunindo a área de aviação comercial da brasileira. A Boeing terá 80% do capital da nova empresa, e a Embraer, os demais 20%.

Quem já aprovou o negócio? Autoridades de defesa da concorrência no Brasil e nos Estados Unidos. Mas, na União Europeia, a investigação ainda está em andamento e não deve ser concluída antes de abril.

Há alguma preocupação específica das autoridades europeias? Sim. A UE teme que a decisão da Bombardier de sair do mercado deixe as companhias aéreas — que são as compradoras dos aviões — com poucas opções, reduzindo o número de principais fornecedores de disponíveis no mercado.

E por que as empresas que compram aviões defendem a parceria da Boeing com a Embraer? O receio é que a Embraer, se ficar sozinha, possa não ter condições acompanhar a disputa em pé de igualdade com os jatos regionais da Airbus.

“Agora você tem o boxeador peso pesado no ringue (a Airbus) com alguém que é sete categorias mais leve (a Embraer enquanto não puder se juntar com a Boeing). Há apenas um resultado”, disse Aengus Kelly, presidente-executivo da empresa de leasing AerCap, a maior compradora mundial de aviões comerciais.

“Acho que é uma obrigação: se a Embraer não fizer isso, é provável que a Airbus encurrale parte do mercado de (aeronaves com) corredor único, o que será ruim para o consumidor”, disse ele. “Simplesmente não acontecerá de a Embraer ser uma concorrente independente viável a longo prazo contra o poder da Airbus.”

O que dizem as companhias? A Embraer e a Airbus não fizeram comentários. A Boeing se recusou a comentar. Espera-se que a UE reinicie sua investigação sobre o acordo Boeing-Embraer na próxima semana, depois de interromper o processo enquanto aguarda mais dados, disse uma pessoa a par do assunto.

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