O uso de carros compartilhados por meio de plataformas como Uber e 99 já é quase tão frequente quanto o de veículos próprios. A nova modalidade de transporte é utilizada ao menos uma vez por semana por 55% dos brasileiros das classes A, B e C, enquanto o carro próprio é usado por 58% das pessoas deste mesmo grupo. O dado faz parte do estudo “A Nova Realidade da Mobilidade no Brasil”, do Boston Consulting Group (BCG).

Engana-se quem pensa que a maioria dos usuários dos carros compartilhados não possui veículo próprio. Segundo a pesquisa, mais de 65% dos usuários assíduos possuem carro.

Outra revelação do estudo é que o carro está deixando de ser um objeto de desejo: 10% dos entrevistados não almejam adquirir um automóvel e 31% dos que não possuem uma carteira de motorista sequer consideram tirar uma. “O compartilhamento de carros no Brasil vem transformando o modelo de ‘posse’ de veículos. Com o aumento da popularidade dessa modalidade de transporte, a população passa a perceber cada vez mais o carro como um serviço, em vez de um bem”, explica Regis Nieto, sócio do BCG e um dos autores do estudo.

Carro compartilhado vale mais a pena do que o próprio? Os especialistas responsáveis pela pesquisa também avaliaram os custos médios de diferentes meios de transporte. A conclusão é que, para a população que percorre menos de 5.000 quilômetros por ano (no caso do carro básico) ou menos de 6.000 quilômetros por ano (em carro com alguns opcionais e câmbio automático), faz mais sentido, do ponto de vista econômico, substituir o carro próprio pelo compartilhado. Na amostra de respondentes, cerca de 15% a 20% dos entrevistados se encontram nessa situação – uma parcela relevante.

Essa conta considera o valor de compra do carro, utilização durante 5 anos (inclui gastos com IPVA, licenciamento, seguro obrigatório e não obrigatório, combustível, revisões, manutenção e estacionamento) e valor de venda ao final desse tempo, que é estimado a partir de premissas de depreciação anual.

Por que essa opção de mobilidade cresce? A análise do BCG aponta alguns fatores que favorecem o crescimento do compartilhamento de veículos no Brasil: alto custo do veículo, maior parte da população brasileira (60%) em áreas urbanas, transporte público de baixa qualidade e pouca capilaridade, problemas de segurança, alto nível de desemprego, pessoas conectadas e dispostas a aderir a novas tecnologias.

Para 20% dos entrevistados, ter um carro é considerado um problema, principalmente, pelos custos elevados ou pelas inconveniências que ele pode gerar.

Quem usa mais? Carros compartilhados são mais populares entre as mulheres. Neste grupo, o índice de penetração é de 60%, contra 50% dos homens. Elas são incentivadas pela maior sensação de segurança quando comparado ao transporte público: 33% das mulheres entrevistadas concordaram totalmente com a afirmação “não me sinto segura utilizando transporte público”, enquanto, entre os homens, 24% concordaram totalmente com a afirmação.

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