Algo vai mal no mundo das empresas que vivem de alugar patinetes e bicicletas no Brasil. Depois da saída da Lime do país, agora é a vez da Grow (resultado da união da Grin com Yellow) anunciar que suspenderá a operação de patinetes em 14 cidades do país. Por enquanto, ela não deixou de totalmente a operação de patinetes:  seguirá com o serviço nas cidades de São Paulo (SP), no Rio de Janeiro (RJ) e em Curitiba (PR).

Qual o motivo dessa decisão? Em nota, a Grow afirma que as medidas fazem parte de um processo de reestruturação da empresa. “A decisão foi tomada para que a companhia promova um ajuste operacional e continue prestando serviços de forma estável, eficiente e segura.”

A decisão afeta apenas os patinetes? Não. A empresa anunciou o cancelamento temporário e total da operação de bicicletas. Os equipamentos foram recolhidos das ruas para passarem por um processo de checagem e verificação das condições de operação e segurança. A Grow informou que busca parcerias públicas e privadas para fortalecer e expandir sua operação.

“Planejar essa reestruturação nos colocou diante de decisões difíceis, porém necessárias para aperfeiçoar a oferta de nossos serviços e consolidar a nossa atuação na América Latina. O mercado da micromobilidade é fundamental para revolucionar a forma como as pessoas se locomovem nas cidades e continuamos acreditando que esse mercado tem espaço para crescer na região”, disse em nota Jonathan Lewy, CEO da Grow.

Em que contexto essa decisão foi tomada? Esse mercado vem sendo afetado por uma série de fatores. Um deles diz respeito ao custo da operação, pois os equipamentos se desgastam muito mais rapidamente que as patinetes/bicicletas individuais, elevando os gastos com manutenção e reposição.

Outro motivo é a perda provocada por vandalismo: casos de furto ou danificação de equipamentos foram relatados desde o início.

Pesa também as diferentes regulamentações municipais tratando desse tipo de transporte. Em São Paulo, por exemplo, a Uber tenta desde setembro de 2019 autorização para operar patinetes, mas até agora não teve uma resposta.

Por último, vale citar a pressão que muitas dessas empresas vem sofrendo de seus investidores a apresentar resultados financeiros. Especialistas dizem que o tempo de perder dinheiro sem tempo para recuperá-lo acabou.

Outras empresas também estão em dificuldade? Sim. A Lime anunciou no começo do mês a saída do Brasil e de outros mercados. A Grin, uma das marcas da Grow, comunicou a seus usuários que estava saindo de Santos, cidade em que enfrenta a concorrência da Uber.

Como ficam os funcionários da Grow? A empresa diz que está buscando a recolocação dos colaboradores demitidos. “Agradecemos aos colaboradores que estiveram conosco e estamos buscando sua recolocação no mercado de trabalho. É importante ressaltar que todos terão resguardados os seus direitos trabalhistas”, completa Lewy.

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