O Nubank está crescendo rápido e pretende dar passos largos para se aproximar dos grandes bancos do país. Em declaração feita em Miami no final da última semana, a confundadora da fintech, Cristina Junqueira, revelou a meta: ter 20 milhões de clientes antes do final de 2019.

Hoje, a empresa do cartão roxo possui 15 milhões de clientes. Segundo Junqueira, o crescimento tem sido de cerca de 1,5 milhão de clientes por mês. Se continuar nessa toada, o Nubank pode alcançar o quarto maior banco do Brasil, o Santander (com 46,5 milhões de clientes), em menos de dois anos.

O desafio do lucro. A expansão do Nubank mostra que clientes na América Latina estão buscando alternativas aos altos juros dos cartões de crédito e tarifas oferecidos por bancos tradicionais. A fintech usa big data para avaliar a solvência em mercados geralmente conhecidos por falta de histórico de crédito e juros elevados.

Cartão de crédito do Nubank e aplicativo da fintech para smartphones

Cartão de crédito do Nubank e aplicativo da fintech para smartphones
Crédito: Shutterstock

Avaliada em US$ 10,4 bilhões em sua última rodada de financiamento, a fintech fundada há seis anos ainda não registrou lucro e enfrenta riscos políticos e regulatórios nos mercados em que atua.

Ainda assim, Cristina Junqueira disse que a empresa poderia gerar lucro líquido se não estivesse tão focada no crescimento. “Percebemos que há estruturas de oligopólio” em todos os lugares, problemas “horríveis” enfrentados por clientes e spreads extremamente altos, disse a executiva.

Expansão. O Nubank iniciou as operações no México no início do ano e abriu um escritório na Argentina. O resultado da eleição presidencial no domingo não deve alterar os planos do Nubank de entrar no mercado argentino, segundo Junqueira.

A executiva disse que a empresa poderia solicitar uma licença bancária na Argentina, porque o quadro regulatório no país é diferente do Brasil — onde o Nubank tem apenas uma licença de financeira. Embora o produto inicial ainda não tenha sido definido, os cartões de crédito seriam uma escolha lógica.

“Os fundamentos ainda existem”, disse sobre a Argentina, acrescentando que o Nubank criaria uma grande equipe de engenheiros para servir toda a região. “É uma população enorme, mal atendida” pelas atuais instituições. “As pessoas ainda estão pagando juros extremamente altos.”

No México, a empresa iniciou o teste de cartões de crédito para várias centenas de “amigos e familiares” e tem dezenas de milhares de pessoas na lista de espera. “O objetivo é continuar crescendo o mais rápido possível, porque há demanda, e o mais bonito é que a grande maioria desse crescimento ainda ocorre organicamente”, disse Junqueira.

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