A Passaredo Linhas Aéreas anunciou nesta quarta-feira (dia 20) a aquisição de 100% do controle da MAP Linhas Aéreas, companhia com atuação no Amazonas e no Pará. O valor do negócio não foi divulgado. A nova Passaredo, que passará a se chamar Voepass, terá 800 funcionários (500 já na empresa e 300 incorporados da MAP).

Quais a estratégia por trás do negócio? O foco da Passaredo, segundo seu fundador, José Luiz Felício Filho, são as operações no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A empresa tem sede em Ribeirão Preto (SP).

Qual o contexto? A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) redistribuiu no início do mês os 41 slots (direitos de pousos e decolagens) que eram utilizados pela Avianca em Congonhas antes da crise da companhia.

A Azul Linhas Aéreas recebeu 15 autorizações, a Passaredo obteve 14, e a MAP, outros 12. Com a incorporação anunciada nesta quarta, a Passaredo terá 26 operações de pouso e decolagem diárias em Congonhas.

“A operação dá ganho de escala e sinergia em Congonhas”, disse Felício Filho.

Qual o tamanho da nova companhia? Somadas, Passaredo e MAP terão menos de 1% do mercado brasileiro de transporte aéreo de passageiros. Isso significa que o negócio não necessita de autorização do Cade (o Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que faz os estudos e aprova ou veta operações de fusão e aquisição.

Com a crise da Avianca, que deixou de voar, a Passaredo vai se firmar como a quarta maior companhia aérea do país. Segundo dados de junho, a Gol tinha 37,7% do mercado doméstico, seguida por Latam (32,5%) e Azul (29,1%). A Passaredo tinha 0,5% do mercado, e a MAP, 0,2%.

Com a crise da Avianca, a Passaredo vai se firmar como a quarta maior companhia aérea do país
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Com qual tamanho a Passaredo ficará? Segundo o empresário, a Passaredo passa a ter 11 aeronaves ATR 72-500: cinco já eram operadas pela empresa e seis são da MAP. Três aviões da MAP serão remanejados da região Norte para Congonhas e mais três novas aeronaves devem ser incorporadas até o fim do ano, elevando a frota para 14.

A Passaredo prevê iniciar os voos em Congonhas em 26 de outubro.

Quais rotas saindo ou chegando a Congonhas a Passaredo vai oferecer? Enquanto a Azul priorizou a ponte aérea Rio-São Paulo, os destinos iniciais da companhia regional serão o interior de São Paulo, além de Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. Até o anúncio dos novos destinos, as duas companhias seguirão a operação nas 37 cidades atuais atendidas por ambas; não há a previsão de cortes nos postos de trabalho.

Entre os novos destinos previstos estão Araçatuba, Bauru e Marília, no interior de São Paulo; Uberaba e Ipatinga (em Minas Gerais), Dourados (Mato Grosso do Sul) e Ponta Grossa (Paraná).

“A operação de São Paulo (Congonhas) pode oferecer serviço para o passageiro ir e voltar no mesmo dia para a capital paulista, o que não ocorre atualmente para esse aeroporto a partir de cidades do interior paulista”, afirmou Felício.

De onde virá o dinheiro para a compra da MAP? O empresário diz que o financiamento “para a aquisição da MAP e para capital de giro vieram de forma mista, de parceiros operacionais, comerciais e bancos”.

Qual o histórico da Passaredo? E da MAP A Passaredo foi fundada em 1995 e enfrentou dificuldades financeiras na primeira metade desta década, a ponto de ter pedido recuperação judicial em 2012. Mas saiu da recuperação em 2017. Hoje a Passaredo opera rotas nas cinco regiões do país, atendendo 28 destinos. A companhia da família Felício transportou 570 mil passageiros em 2018, com aproximadamente 14 mil decolagens.

Com sede em Manaus (Amazonas), a MAP, de propriedade da família Pacheco, opera desde o início da década e atende 14 municípios do Amazonas e do Pará. Ela transporta por ano mais de 140 mil passageiros.

(Com Estadão Conteúdo)