O JPMorgan Chase e o Goldman Sachs, dois dos principais bancos de Wall Street, vão fazer parte de um novo mercado de ações que irá competir com a Bolsa de Nova York (Nyse em inglês) e com a Nasdaq.

Os dois bancos e a empresa de trading Jane Street Capital são os mais novos investidores da Members Exchange (MEMX), segundo comunicado na última quinta-feira (dia 20). Eles se juntam a nove outros pesos-pesados do setor financeiro que apoiam a nova bolsa de ações dos EUA, cuja estreia está programada para 24 de julho.

Por que criar uma nova bolsa nos EUA? Os financiadores originais da MEMX, que incluem Citadel Securities, Virtu Financial, Bank of America e Morgan Stanley, decidiram criar o mercado devido à frustração com as taxas cobradas pelas bolsas de valores existentes.

Embora seus investidores sejam frequentemente concorrentes ferozes em outras frentes, eles se uniram em um esforço para fazer pressão sobre custos, principalmente dados de mercado, e aumentar a transparência.

Por que a nova bolsa americana importa para os brasileiros? O movimento dos maiores bancos americanos e de grandes corretoras em busca de taxas menores reflete uma preocupação existente também no Brasil, onde a B3 é a única bolsa disponível, exercendo um monopólio em termos práticos para as empresas e os investidores.

No fim do ano passado, um acordo da B3 com a ATS Brasil, uma associação entre a Americas Trading Group (ATG) e a Nyse Euronext (que reúne a bolsa de Nova York e alguns das maiores na Europa), abriu caminho para que, no futuro, a ATS Brasil possa desenvolver e lançar uma plataforma de negociação de ações à vista.

O que significa a entrada de investidores como o JPMorgan e o Goldman Sachs na MEMX? Em entrevista, o CEO da MEMX, Jonathan Kellner, disse que “essa captação de recursos não tinha a ver com a necessidade de dinheiro” para o lançamento nos EUA, mas para envolver “investidores mais estratégicos”.

As novas empresas terão assentos no conselho da futura bolsa e os mesmos direitos de voto que seus investidores originais, disse Kellner, que foi CEO da corretora Instinet, da Nomura Holdings. Ele não quis dizer quanto os investidores colocaram no projeto.

“Vemos a MEMX como outra maneira de expressar nossas opiniões no diálogo da estrutura do mercado de ações dos EUA”, disse Amy Hong, chefe global de estratégia de estrutura de mercado do Goldman Sachs. “Estamos empolgados em apoiar a inovação nos mercados de ações por meio da MEMX.”

Quem mais já aderiu à nova bolsa? As maiores corretoras de baixo custo americanas também são financiadoras da MEMX, em uma lista que inclui a Charles Schwab e a TD Ameritrade, que passam por processo de fusão, além da E*Trade Financial, que foi adquirida na última semana pelo Morgan Stanley.

A nova bolsa ainda precisa de autorização da SEC (Securities and Exchange Commission), o órgão de regulação e fiscalização do mercado de capitais nos EUA, equivalente à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no Brasil.

(Com a Bloomberg)

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