Os escritórios do pós-pandemia de coronavírus terão muita tecnologia para evitar toques. Desde a porta de chegada até os banheiros, a ideia é criar sistemas de acionamento automático que evitem que os trabalhadores toquem nas peças. No controle de acesso dos funcionários, as empresas devem passar a adotar o QR Code (código de barras bidimensional) ou leitor facial ou de íris.

Nos banheiros, alguns projetos já preveem acionamento pelo pé para válvulas de descarga e automático para torneiras, saboneteiras e secadores de mãos. “Também há o acionamento por sensores de iluminação das salas para evitar o contato com os interruptores”, diz a arquiteta Liana Tessler Szyflinger.

Toda essa tecnologia terá de vir acompanhada de um novo protocolo em relação à higienização das áreas comuns. “A limpeza comum e periódica será substituída por rotinas diárias de higienização de ambientes e superfícies com produtos especiais, além de todos os materiais que adentrarem ao escritório”, destaca a arquiteta Bruna de Lucca.

Por isso, os projetos de novos layouts preveem bancadas externas para lavar as mãos, espaços para higienização dos calçados e totens com álcool gel, máscaras e luvas. Tudo isso na recepção das empresas, antes de entrar nos escritórios. “Após esse momento, muitas coisas terão de mudar. Além das rotinas de limpeza e mudança nos espaços, faremos a medição de temperatura para dar mais segurança aos funcionários que estarão no escritório”, diz Gabriela Duarte, gerente geral de Operações da Plug and Play Brasil, plataforma de inovação que vem fazendo mudanças no layout da empresa. Segundo ela, a expectativa é reduzir em 50% a ocupação do escritório e salas de reunião.

Outro ponto que deve merecer atenção é o sistema de higienização de ar condicionado. “A cada dois meses, é preciso fazer a limpeza dos aparelhos, mas hoje muitas empresas não cumprem essa determinação”, diz Bruna. No pós-Covid-19, esse tipo de postura terá de mudar, para não expor os funcionários a riscos de contaminação. “A dinâmica vai mudar, os espaços serão transformados e haverá redução das áreas de trabalho”, diz o arquiteto Renato Dal Pian, do escritório Dal Pian.

A Associação Paulista de Supermercados (Apas) estava em plena reforma de seu escritório quando a crise do coronavírus chegou ao país. Para liberar o prédio, localizado na Lapa, na capital paulista, os 120 funcionários foram para um espaço de coworking e, depois, para o home office, com o início do isolamento social. O projeto, que já previa uma série de mudanças, teve de passar por novos adaptações, diz o superintendente da Apas, Carlos Correa.

Segundo ele, uma das mudanças será a abertura de janelas no prédio para melhor circulação do ar. “Nosso edifício é todo em vidro e não tem aberturas. Mas queremos ter essa opção para que, em alguns momentos, possamos abrir e deixar a brisa entrar.” Ele afirma que o imóvel tem uma área externa, que receberá melhorias para ser usada durante as refeições.

Na associação, o home office continuará no pós-isolamento social em alguns dias das semana. Além disso, outras medidas para reduzir a aglomeração de pessoas serão adotadas. Haverá flexibilização dos horários de entrada e saída e escalonamento durante as refeições. Na volta do pós-pandemia, o escritório da associação não terá computadores desktop, apenas laptops. O sistema telefônico foi substituído pela tecnologia voIP. “Assim, eliminamos o aparelho fixo e podemos atender as ligações pelo celular ou pelo computador”, diz Correa. “Aprendemos muito nesses últimos 45 dias e perdemos a relação com o espaço físico.”

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